<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573</id><updated>2012-01-20T12:25:55.516Z</updated><title type='text'>Maré Viva</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>180</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-115076037157376525</id><published>2006-06-20T00:38:00.000+01:00</published><updated>2006-06-20T00:39:31.590+01:00</updated><title type='text'>Paradoxo</title><content type='html'>A história regressa sempre ao lugar do crime.&lt;br /&gt;Do mesmo modo, o crime regressa sempre ao lugar da História.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-115076037157376525?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/115076037157376525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/115076037157376525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/06/paradoxo.html' title='Paradoxo'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114487886377809280</id><published>2006-04-12T22:49:00.000+01:00</published><updated>2006-04-12T22:54:23.800+01:00</updated><title type='text'>The end</title><content type='html'>Começou em Abril de 2005.&lt;br /&gt;Termina em Abril de 2006.&lt;br /&gt;Um ano passou - tudo tem o seu tempo. E desta vez é que é de vez.&lt;br /&gt;Obrigado pela atenção, que prolongou mais algum tempo a vida deste blog. Até hoje. E até sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114487886377809280?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114487886377809280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114487886377809280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/end.html' title='The end'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114487334309411100</id><published>2006-04-12T21:07:00.000+01:00</published><updated>2006-04-12T21:25:32.776+01:00</updated><title type='text'>CRIATURAS</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues gosta de gatos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De noite, só os gatos moram aqui. Ando por entre eles, e não me ligam nada. Os gatos são autistas, dizia-me um biólogo. Mas enquanto me dizia isto, reparei que olhava para o próprio umbigo. Falava em direcção a si próprio. O autista era ele; e um gato que andava por ali miava-lhe, à espera que o autista reparasse nele e lhe pusesse um prato de leite. Em vez disso, o biólogo despejou leite num prato e lambeu-o, sob o olhar de ódio do gato. Mas os gatos são incapazes de ódio, disse-me o biólogo. Se estou a fazer isto, é apenas para demonstrar a tese de que o olhar de um gato não é portador de expressão. Concordei com ele, mas se não tivesse concordado teria sido a mesma coisa. Quando saí de casa, o biólogo tinha-se posto de gatas e miava para o gato. Discutiam política. No fundo, a luta pelo poder trava-se sempre entre criaturas que estão de gatas. Ainda disse ao biólogo que se levantasse, já da rua; mas ele olhou para mim, com o olhar suplicante de quem me queria ver de gatas. Quanto ao gato, tinha subido para cima da janela e olhava pelo vidro. Mas como era de noite, o que o gato via era o seu próprio reflexo no espelho; e quando, do lado de fora do vidro, espreitei para dentro de casa, reparei que quem estava à janela era o biólogo, perguntando a si próprio porque é que o seu reflexo no vidro tinha a figura de um gato. Não sabe que os gatos são autistas?, gritei-lhe do outro lado da janela. Mas ele só pensava no gato; e quando começou a miar fugi dali, antes que no espelho da janela, do lado de fora, eu também me transformasse num gato. E só quando cheguei a casa, e o meu gato me deitou um olhar de ódio,é que reparei que tinha roubado o pacote de leite de casa do biólogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114487334309411100?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114487334309411100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114487334309411100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/criaturas.html' title='CRIATURAS'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114462843808004425</id><published>2006-04-10T01:11:00.000+01:00</published><updated>2006-04-10T01:21:19.816+01:00</updated><title type='text'>CABEÇA</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues perdeu a cabeça.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Perdi a cabeça. Pus um anúncio no jornal para ver se alguém a encontrava. Nada. Ontem, porém, ouvi o telefone tocar. Alguém tinha encontrado a minha cabeça e perguntou-lhe a quem pertencia. «Telefone para este número», disse ela. E o homem ligou. «Encontrei uma cabeça que me deu o seu número de telefone. Sabe a quem pertence?» Disse-lhe logo: «É minha. Onde é que a posso ir buscar?» Ouvi um silêncio do outro lado. Depois, o homem disse: «Mas se a cabeça é sua, como é que me está a ouvir? Tenho aqui as suas orelhas.» Também fiquei sem perceber como é que, estando sem cabeça, podia ouvir o que ele me dizia. Até que compreeendi tudo: «Claro que o estou a ouvir porque você está a falar ao lado da minha cabeça.» Outro silêncio. E o homem voltou à carga: «Admitamos que isso é possível. Mas se eu tenho aqui a sua boca, como é que você me está  falar ao telefone?» Esta pergunta embaraçou-me. Desliguei o telefone. E continuo com a cabeça perdida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114462843808004425?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114462843808004425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114462843808004425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/cabea.html' title='CABEÇA'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114461465045246498</id><published>2006-04-09T21:30:00.000+01:00</published><updated>2006-04-09T21:33:03.146+01:00</updated><title type='text'>COMÉRCIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/nuvem.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/nuvem.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues ganha a vida.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No verão, o Senhor Rodrigues alugou uma roulote e pôs-se junto á Torre de Belém a vender nuvens. As mães passavam em frente da roulote e ele chamava-as: «Comprem uma nuvem para os vossos filhos.» Elas paravam, e ele continuava: «Querem uma nuvem branca ou cinzenta?» Todas escolhiam a branca; e ele pegava num cone de montanha, punha a nuvem em cima e vendia-a às mães, para que elas a dessem aos filhos. Os filhos lambiam-se com as nuvens, como se fossem gelados; e quando as comiam todas, começavam a chover. Quando as mãos viam os filhos reduzidos a uma poça de água no chão, começavam a chorar. «Não vos preocupeis, mães, vinde comigo.» E levava-as para dentro da roulote onde elas podiam ver os filhos a brincar em cima das nuvens, lá no céu. «Quereis ir ter com eles?» E elas diziam que sim. Então, o Senhor Rodrigues, dentro da roulote, levava-as até aos nimbos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114461465045246498?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114461465045246498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114461465045246498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/comrcio.html' title='COMÉRCIO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114461306396111520</id><published>2006-04-09T21:00:00.000+01:00</published><updated>2006-04-09T21:11:22.273+01:00</updated><title type='text'>CARACÓIS</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/caracol.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/caracol.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues não sabia que havia caracóis antropófagos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Vamos todos atrás dos caracóis, seguindo o rasto da sua baba. Ao chegar à toca dos caracóis, façamo-nos pequenos para entrar na casota. Lá dentro, os caracóis juntam-se aos cachos, para que os colhamos. Podemos encher de caracóis os bolsos das calças; os bolsos do casaco de caracoletas; e o bolso da camisa do que sobrar. Depois, façamos o caminho de volta. O pior é que, com os bolsos cheios de cachos de caracóis, já não conseguimos sair da casota. E entretanto os caracóis saíram de dentro dos cachos e começaram-nos a comer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114461306396111520?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114461306396111520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114461306396111520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/caracis.html' title='CARACÓIS'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114457950422930855</id><published>2006-04-09T11:36:00.000+01:00</published><updated>2006-04-09T13:29:07.386+01:00</updated><title type='text'>CRENÇA</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues abre a janela e espreita o céu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Hoje, o céu está encoberto. Não se vê Deus. Resta-me esperar que as nuvens passem, e talvez amanhã, ao abrir a janela, Deus volte a existir.&lt;br /&gt;A questão é esta: para mim, que quero ir à praia, o azul é fundamental para acreditar que Deus existe. Mas para o camponês que, tal como eu, abriu a janela para espreitar o céu, são estas nuvens que prometem chuva que o fazem acreditar em Deus.&lt;br /&gt;Conclusão lógica: Deus, para existir, depende de quem acredite nEle. Mas se, para acreditar nEle, é preciso que metade do céu esteja de sol, e metade do céu esteja de chuva, a crença em Deus implica um contra-senso meteorológico. &lt;br /&gt;Amanhã irei ver se convenço o camponês a comprar uma mangueira, ligá-la à torneira e regar as couves com a água da barragem. Assim, Deus passará a existir enquanto houver água na barragem. E mais vale ter um Deus preso na barragem do que sabê-lo à solta pelo céu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114457950422930855?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114457950422930855/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114457950422930855' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114457950422930855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114457950422930855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/crena.html' title='CRENÇA'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114444959670174917</id><published>2006-04-07T23:25:00.000+01:00</published><updated>2006-04-07T23:42:48.816+01:00</updated><title type='text'>CAVEIRAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/caveira.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/caveira.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues acende o charuto.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Gostava de falar dos meus antepassados. Mas não tenho um cinzeiro, e terei de deitar a cinza para dentro dos seus crânios, sem olhar para eles. As doenças pegam-se pelos buracos das órbitas, de onde saem os ratos de cemitério. Há uma solução: pôr óculos escuros às caveiras. Ficam mais sociáveis; e até lhes ponho o charuto nos dentes (quando os têm) para que elas possam deitar umas boas baforadas que me permitam respirar o perfume do tabaco associado ao cheiro da terra. O problema é que, quando me apetece puxar-lhes pelas orelhas, não as encontro. Será isso que torna as caveiras mais atrevidas? Para as castigar, puxo-lhes pelo charuto; mas elas agarraram-no com as mandíbulas, e puxam freneticamente pelo fumo, que lhes sai pela cavidade da nuca, como se fosse uma chaminé de padaria. «Olha que pão tão bom», diz um transeunte distraído; e dá uma dentada no crânio, pensando que é um pedaço de côdea. É então que se ouve o grande grito das caveiras; e aproveito para lhes tirar o meu charuto, e acabo de o fumar tranquilamente, sem pensar mais nos meus antepassados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114444959670174917?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114444959670174917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114444959670174917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/caveiras.html' title='CAVEIRAS'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114431425989648031</id><published>2006-04-06T09:52:00.000+01:00</published><updated>2006-04-06T10:06:43.856+01:00</updated><title type='text'>CADAFALSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/guilhotina.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/guilhotina.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues gosta do sistema&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Imaginemos este diálogo na Bastilha:&lt;br /&gt;- Põe o pescoço a jeito.&lt;br /&gt;- Sois então o carrasco.&lt;br /&gt;É um diálogo em que se fundem todas as cumplicidades do mundo. O próprio carrasco tem um lado simpático. A sua função é preparar o condenado para que tudo corra o melhor possível. Alisa o pescoço, vê se os cabelos demasiado compridos não prejudiquem o golpe, pretende que tudo corra da melhor maneira para que o acto tenha uma perfeita execução.&lt;br /&gt;Mas o condenado acrescenta:&lt;br /&gt;- Não posso virar a cabeça, estou com um torcicolo.&lt;br /&gt;O carrasco só pode fazer uma coisa: desaperta-lhe o colarinho e tenta fazer-lhe uma massagem no pescoço, para que este possa fazer a sua torção em direcção à lâmina. Mas o condenado insiste em manter a cabeça torta.&lt;br /&gt;Há sempre quem queira estragar a festa. E em vez da guilhotina, não houve outro remédio senão enforcá-lo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114431425989648031?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114431425989648031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114431425989648031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/cadafalso.html' title='CADAFALSO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114414033130575296</id><published>2006-04-04T09:44:00.000+01:00</published><updated>2006-04-04T09:45:31.320+01:00</updated><title type='text'>CONFISSÃO</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues confessa-se.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A confissão obriga o Senhor Rodrigues a estar contra si próprio. É como se alguém que chupa no dedo tivesse de dizer que chupar no dedo é uma coisa contra a natureza. Mas quanto mais diz isto, mais o chupa, até a unha cair e a pele ficar reduzido ao osso. A contradição é própria do ser humano. E quanto mais o Senhor Rodrigues se confessa, mais confessa que a confissão o incomoda. No fim de cada confissão, o seu espírito fica reduzido à mais ínfima substância. «É como a minha alma tivesse ficado sem unhas. Como poderei agora coçar a minha inteligência?» No fim do dia, a Senhor Rodrigues faz a soma das suas confissões. E descobre que acabou por não confessar nada. É como aqueles que estão sempre de partida: e nunca saem do seu lugar. Também o Senhor Rodrigues está sempre a confessar-se, para descobrir que não tinha nada de que se desculpar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114414033130575296?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114414033130575296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114414033130575296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/confisso.html' title='CONFISSÃO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114410078845664091</id><published>2006-04-03T22:36:00.000+01:00</published><updated>2006-04-03T22:46:28.490+01:00</updated><title type='text'>CORTE</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues simplifica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;«E todos lançaram mão às iguarias que tinham à sua frente», escreveu Homero. Não descreve as iguarias; mas deixa-nos adivinhar o apetite dos convidados, esperando por Penélope que estava na cozinha, ordenando às escravas que aumentassem a dose para ninguém ficar com fome. &lt;br /&gt;Mas não devemos enganar-nos. Enquanto os pretendentes iam enchendo a pança, Penélope emagrecia. Foi a forma que encontrou para poder passar por entre eles, sem que a conhecessem; e a sua figura esguia confundia-se com uma faca, a tal ponto que um dos convidados pegou nela e usou-a para cortar o boi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114410078845664091?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114410078845664091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114410078845664091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/corte.html' title='CORTE'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114397090734115652</id><published>2006-04-02T10:21:00.000+01:00</published><updated>2006-04-03T09:48:11.616+01:00</updated><title type='text'>CETÁCEO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/palmeira.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/200/palmeira.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era tão simples como isto, Senhor Rodrigues...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Procurei uma outra forma de abordagem do problema, para que a minha explicanda não caísse completamente no vazio: «Ouve, dilecta discípula, imagina que eu tinha nascido como o Robinson numa ilha deserta; mas, ao contrário do Robinson, não sabia o que era uma mulher. O mundo habitado, para mim, eram apenas pássaros, coelhos, burros, caranguejos, e um ou outro cetáceo que, aos fins de semana, passava em frente da ilha, soltando o seu repuxo que me evocava logo o lago de Genebra, com muita saudade.» Ela ouvia-me com toda a atenção. «Por coincidência, havia na ilha um outro senhor que já tinha visto uma mulher. Pedi-lhe que me contasse como era.  Ele disse para imaginar dois montes de areia, uma longa folha de palmeira coberta de pele, e no topo aqueles fios que cobrem o milho soltos pela nortada.» A explicanda olhava para o seu corpo, procurando ver se a descrição correspondia à realidade. «Perante essa explicação, sentei-me ao lado da reprodução da mulher e disse-lhe: «Ergue-te e anda.» E ela levantou-se e começou a dançar.Portanto, uma mulher para mim ficou a ser a soma de um milheiral com uma palmeira, a que se juntou um pedaço de areia fina, movendo-se em harmonia com o vento.» A explicanda acabou de escrever o meu ditado e tomou a decisão ponderada de voltar a pôr o pé em terra, esvaziando os bolsos de areia e sacudindo as barbas de milho que o seu passeio pelo campo lhe tinha agarrado aos cabelos. Só não perdeu o seu ar de palmeira esguia, embora o vento não soprasse para a fazer dançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114397090734115652?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114397090734115652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114397090734115652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/cetceo.html' title='CETÁCEO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114393165045042587</id><published>2006-04-01T23:40:00.000+01:00</published><updated>2006-04-01T23:52:57.600+01:00</updated><title type='text'>CATARATA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/fiorde.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/fiorde.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os fiordes fazem reflectir o Senhor Rodrigues.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não foi por acaso que levei a minha explicando à Noruega. «Queres saber como é que se desce uma falésia a pique?» Lá de cima, peguei-lhe pelas tranças e pendurei-a sobre o abismo. Ela recitava-me a lei da gravidade para a frente e para trás. «É assim que se aprende», disse-lhe. E larguei-a - vendo-a ficar suspensa no ar. Perante o seu ar atónito, disse-lhe: «A queda é uma ilusão de óptica. O pecado original não passou de uma catarata no olho de Adão. Por isso é que, nos Estados Unidos, os recém-casados vão passar a lua-de-mel nas cataratas do Niagara. Ao vê-las, lembram-se da serpente.» Mas a minha explicanda não percebia nada. «O que tem isso a ver com a Eva?» Este pensamento fê-la cair. Ainda hoje não sei se ela caiu em si ou se caiu no fiorde. Ou se não é tudo, afinal, a mesma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114393165045042587?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114393165045042587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114393165045042587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/catarata.html' title='CATARATA'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114392851114188255</id><published>2006-04-01T22:47:00.000+01:00</published><updated>2006-04-02T23:30:15.470+01:00</updated><title type='text'>CONCLUSÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/Galinha.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/Galinha.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues compra leite holandês.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A minha lição de hoje levou-me a pôr uma galinha e um ovo em cima da mesa. A minha explicanda perguntou-me: «Qual nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?» Dei-lhe com o ponteiro nos cabelos, por entre as tranças, e expliquei-lhe que a galinha não passa de um reflexo do ovo. «Se vires o ovo e a galinha ao lado um do outro, tens de evitar estender a mão porque poderás partir o vidro do espelho.» Ela não teve emenda: «Mas diga-me, Senhor Rodrigues, qual é que está no espelho? O ovo ou a galinha?» Felizmente, ouviu-se um cacarejar no pátio da escola. «Alguma vez ouviste uma imagem reflectida no espelho cacarejar? Pois aqui tens a resposta.» E, com um único golpe de mão, parti o ovo na cabeça da explicanda, que fugiu para casa a chorar, sem fazer um ruído.&lt;br /&gt;Daqui tirei uma conclusão: a minha explicanda é a própria galinha reflectida no espelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114392851114188255?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114392851114188255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114392851114188255' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114392851114188255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114392851114188255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/concluso.html' title='CONCLUSÃO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114391575599411894</id><published>2006-04-01T19:11:00.000+01:00</published><updated>2006-04-09T13:29:30.046+01:00</updated><title type='text'>CAIRO</title><content type='html'>&lt;em&gt; O Senhor Rodrigues escreve uma carta de amor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Querida amiga&lt;br /&gt;não é todos os dias que recebo um retrato teu, nem que vejo a forma hábil que o fotógrafo usou para te captar sem que tivesses dado por isso, olhando para o lado, e mantendo o perfil de esfinge que tanto me incomoda porque não faço ideia do que queres dizer com isso. Não podias olhar para a objectiva? Se assim tivesse sido, antecipando-te ao disparo, estarias a olhar-me de frente, e seria a altura indicada para me ouvires dizer o que tenho para te dizer. É simples: é... mas que estou a fazer? Não me estás a olhar de frente, e não falo a nenhuma esfinge. O segredo perturba-me; e os teus lábios começam a ficar com a cor do pêssego que se prepara para cair de maduro. Se me olhasses de frente, iria apanhá-lo; assim, deixo-o cair, para que as formigas façam dele o seu festim.&lt;br /&gt;E agora um pedido: sabes onde fica o Cairo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114391575599411894?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114391575599411894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114391575599411894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/04/cairo.html' title='CAIRO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114382668815813624</id><published>2006-03-31T18:22:00.000+01:00</published><updated>2006-04-01T21:53:12.553+01:00</updated><title type='text'>CUSPO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/tatu.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/200/tatu.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues pensa na morte de bezerra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois de cuspir o tatu com a água do banho, não podemos continuar a pensar no fim de Empédocles. «Quem?» Estou a falar do toureiro que ficou enrolado no rabo do touro e foi comido pelas bezerras esfomeadas, enquanto o público aplaudia. A mim, nunca tal coisa me aconteceria. Quando visitei o Etna, levava no bolso uma caixa de fósforos para acender a lava; e só um tremor de terra, que me fez desacertar o risco do fósforo com a caixa, impediu a erupção. Puxei da capa e levantei-a, para que todos vissem o vermelho sair da cratera. E não é que pensaram que o Etna estava a acordar? Quando atravessei as ruas desertas, enrolado na bandeira triunfal que provocara a debandada, lamentei que não houvesse ninguém para me aplaudir. E ao lembrar-me de Empédocles, concluí: «Só os mortos fazem com que a multidão bata palmas.» E ao dizer isto, tinha atrás de mim toda a população de Pompeia a dar-me vivas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114382668815813624?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114382668815813624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114382668815813624' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114382668815813624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114382668815813624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/cuspo.html' title='CUSPO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114382453288690784</id><published>2006-03-31T17:51:00.000+01:00</published><updated>2006-03-31T18:04:07.240+01:00</updated><title type='text'>CARACOL</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/161858.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/161858.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues prova a sopa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O suporte da sopa são as amígdalas do tatu. O Senhor Rodrigues mexe-as com a colher, procurando no meio de verduras um rebento de cacto. A cozinheira ajuda-o, fazendo com que a colher dê a volta mais depressa no prato, até chegar às 78 rotações. E quando o Maurice Chevalier sai de dentro da sopa, com um tatu metido no chapéu, o Senhor Rodrigues manda tudo para trás e pede a conta. «A minha sopa é o silêncio», diz ele. E enfia a colher nas amígdalas do Chevalier, enquanto a cozinheira dança o suíngue numa lascívia de caracol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114382453288690784?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114382453288690784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114382453288690784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/caracol.html' title='CARACOL'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114372229233465857</id><published>2006-03-30T13:35:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T13:44:53.743+01:00</updated><title type='text'>CONCEPÇÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/blog.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/blog.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues interrompe.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O que está a dizer é um disparate. Não precisamos de pensar. O que está dentro da cabeça é apenas um bolbo. O que é preciso fazer é pôr a cabeça dentro de água, deixá-la estar, e ao fim de uns dias verá começar a nascer o caule, e depois a flor. Tem é de mudar a água de vez em quando, por causa do bolor que nasce da cabeça. &lt;br /&gt;Depois pode apanhar a flor e pô-la na lapela. «O que é que tem aí?», podem perguntar. E a resposta certa é: «Um pensamento.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114372229233465857?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114372229233465857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114372229233465857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114372229233465857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114372229233465857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/concepo.html' title='CONCEPÇÃO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114367370130203824</id><published>2006-03-30T00:06:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T13:44:39.856+01:00</updated><title type='text'>CEPA</title><content type='html'>&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues trabalha.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Quem quiser sair da cepa torta, não pode fazer outra coisa senão endireitar a cepa. Mas uma cepa direita cresce a direito; e quem quer subir na vida, tem de fazer com que a cepa se volte para o céu. E lá volta a cepa a ficar torta. &lt;br /&gt;No entanto, o Senhor Rodrigues tem uma solução na manga. Levanta-se da cadeira, sobe para cima da mesa, desaperta a manga, tira de dentro dela uma tesoura e, com um golpe seco, corta a cepa no ponto em que ela se começa a virar para cima.&lt;br /&gt;Então, o Senhor Rodrigues pega na cepa cortada e diz para quem assistiu à cena:&lt;br /&gt;Não queiram endireitar a cepa porque ainda ficam sem ela. E mais vale uma cepa torta do que ficar com a cepa a meio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114367370130203824?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114367370130203824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114367370130203824' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367370130203824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367370130203824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/cepa.html' title='CEPA'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114367108612270149</id><published>2006-03-29T23:24:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T13:44:21.583+01:00</updated><title type='text'>CONSELHO</title><content type='html'>&lt;em&gt;Ouvir atentamente o Senhor Rodrigues.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O toureio, meus amigos, é a mais perfeita forma de metafísica. O touro investe sobre o toureiro com os dois axiomas afiados; e este tem de os apanhar com o pano da dialéctica, tentando que as bandarilhas da retórica não o rasguem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114367108612270149?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114367108612270149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114367108612270149' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367108612270149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367108612270149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/conselho.html' title='CONSELHO'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114367104991475544</id><published>2006-03-29T23:23:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T13:43:10.873+01:00</updated><title type='text'>CLASSE</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/DSC01806.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/DSC01806.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Senhor Rodrigues apertava o laço.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não me irritem quando me estou a arranjar. Este laço é a minha identidade. Através dele, dou a ver a minha verdadeira natureza. É um laço que ninguém pode desapertar, a não ser eu. Uma vez, pedi à empregada que o desapertasse; e ela ficou-me com a cabeça nas mãos. Não imagina o trabalho que tive para voltar a enfiar a cabeça em cima do pescoço. A mulher estava desesperada, com as mãos cheias de sangue. Mas lá conseguiu reparar a asneira, depois de seguir as minhas instruções&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114367104991475544?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114367104991475544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114367104991475544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367104991475544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367104991475544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/classe.html' title='CLASSE'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114367100101821260</id><published>2006-03-29T23:22:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T13:42:49.003+01:00</updated><title type='text'>CRENÇA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/DSC01805.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/DSC01805.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Bastava que o Senhor Rodrigues se sentasse à mesa.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A frase é uma espada com que corto o discurso Às postas. Podem falar: e puxo da minha frase para os deixar com as palavras em sangue, espalhadas pelo chão. Os cães precipitam-se para as apanhar; e quando as palavras lhes ficam coladas às línguas, começam a falar. A única forma de os calar é dar-lhes um osso. Ao mesmo tempo que o roem, vão também roendo as palavras. Com um guardanapo que roubam ao cesto do lixo, os pobres recolhem os restos de palavras, e levam-nas com eles para a rua, onde se servem de um opíparo banquete de sílabas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114367100101821260?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114367100101821260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114367100101821260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367100101821260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367100101821260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/crena.html' title='CRENÇA'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-114367095571396383</id><published>2006-03-29T23:20:00.000+01:00</published><updated>2006-03-30T13:40:37.220+01:00</updated><title type='text'>CHUVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/DSC01808.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/200/DSC01808.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Senhor Rodrigues : tenha cuidado com o que diz.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por vezes, dizia ele, a natureza impunha o culto da meteorologia. Passava horas a olhar para o céu, à espera que as nuvens caíssem. Mas nada acontecia. Então, ficava sem saber se tinha uma nuvem no bolso. Metia lá as mãos, e puxava um grande lenço de nuvem, que sacudia no ar até começar a chover.&lt;br /&gt;Depois, voltava a assoar-se com a nuvem, e voltava a metê-la no bolso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-114367095571396383?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/114367095571396383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=114367095571396383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367095571396383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/114367095571396383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/03/chuva.html' title='CHUVA'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113960076216766962</id><published>2006-02-10T19:38:00.000Z</published><updated>2006-02-10T19:46:02.186Z</updated><title type='text'>Crise da matemática</title><content type='html'>Um quarto tem quatro paredes. Mas se um quarto fosse mesmo um quarto, só tinha uma parede, porque um quarto de quatro é um. &lt;br /&gt;Conclusão: a matemática não entra nos quartos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113960076216766962?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113960076216766962/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113960076216766962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113960076216766962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113960076216766962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/02/crise-da-matemtica.html' title='Crise da matemática'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113872502182340361</id><published>2006-01-31T16:16:00.000Z</published><updated>2006-01-31T16:30:21.863Z</updated><title type='text'>Pickpocket</title><content type='html'>Quando cheguei à porta da caverna do Ali Babá e toquei vieram logo abrir:&lt;br /&gt;- Estamos cá todos, só estávamos à tua espera para começar.&lt;br /&gt;Entrei, e vi logo a mesa posta para 40, com um lugar vago.&lt;br /&gt;- Senta-te ali.&lt;br /&gt;- Mas não sou um ladrão!, disse eu.&lt;br /&gt;- Não venhas com coisas. Vais ver que não é difícil entrar neste clube.&lt;br /&gt;Comecei a gostar da conversa. Afinal, o clube não era tão fechado como me tinham dito; e cada um pode ter o seu lugar, se bater à porta a tempo de encontrar o lugar vago, e todos à espera que ele fique ocupado para começarem a distribuição.&lt;br /&gt;- E o que é que vamos roubar hoje?, perguntei.&lt;br /&gt;O vizinho do lado deu-me um safanão.&lt;br /&gt;- Aqui ninguém fala em roubar. Estamos aqui para ver o que nos cabe, antes que outros tomem o nosso lugar.&lt;br /&gt;Percebi que o roubo é uma actividade precária; mas logo o vizinho da esquerda me soprou ao ouvido: &lt;br /&gt;- O que é preciso é fazer as coisas por baixo da mesa.&lt;br /&gt;Baixei-me, e espreitei; e o que vi deixou-me estupefacto. Milhares de criaturas corriam de um lado para o outro, seguindo as instruções que os ladrões lhes davam com os dedos, que apontavam para um e outro lado, onde o saque ainda estava por fazer. &lt;br /&gt;- Então, somos nós que dirigimos o mundo?&lt;br /&gt;- Claro, disse-me o vizinho da direita.O que é preciso é que ninguém nos veja.&lt;br /&gt;Levantei-me e fui ter com o Ali Babá, que tinha acabado de desligar o telefone:&lt;br /&gt;- Estou contigo, Ali Babá.&lt;br /&gt;- É tarde, disse-me ele, vamos fazer um intervalo. Volta cá no próximo mês, se ainda houver caverna.&lt;br /&gt;- O quê? Agora que eu ia começar a roubar é que fecham a caverna?&lt;br /&gt;Dei-lhe um abraço, e saí pela porta por onde entrara. No bolso do casaco, levava a carteira que acabara de roubar a Ali Babá, quando o abracei para me despedir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113872502182340361?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113872502182340361/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113872502182340361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113872502182340361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113872502182340361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/pickpocket.html' title='Pickpocket'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113831422471509162</id><published>2006-01-26T22:20:00.000Z</published><updated>2006-01-26T22:23:44.736Z</updated><title type='text'>Quiproquo</title><content type='html'>Queria escrever, mas não sabia o quê.&lt;br /&gt;Queria o quê, mas não sabia escrever.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113831422471509162?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113831422471509162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113831422471509162' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113831422471509162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113831422471509162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/quiproquo.html' title='Quiproquo'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113814887982522008</id><published>2006-01-25T00:27:00.000Z</published><updated>2006-01-25T00:27:59.850Z</updated><title type='text'>Menu</title><content type='html'>Há restaurantes em que é pior a ementa que o soneto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113814887982522008?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113814887982522008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113814887982522008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113814887982522008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113814887982522008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/menu.html' title='Menu'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113805839612201195</id><published>2006-01-23T23:18:00.000Z</published><updated>2006-01-23T23:19:56.143Z</updated><title type='text'>Lapso</title><content type='html'>Quando o amnésico saiu de casa, não reparou que se tinha esquecido de si próprio no sofá da sala.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113805839612201195?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113805839612201195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113805839612201195' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113805839612201195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113805839612201195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/lapso.html' title='Lapso'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113792973366573384</id><published>2006-01-22T11:29:00.000Z</published><updated>2006-01-23T12:38:44.540Z</updated><title type='text'>Visita</title><content type='html'>Entrei pelas traseiras na casa de Magritte. Um gato, de costas, tirou o chapéu para me cumprimentar.&lt;br /&gt;- Mas se estás de costas, como é que deste por mim?&lt;br /&gt;- Vi-te no espelho.&lt;br /&gt;Olhei-me ao espelho da casa de Magritte, e também eu estava de costas para mim.&lt;br /&gt;- Como é que sei se sou eu, se a minha imagem no espelho está de costas para mim?&lt;br /&gt;- Não, não és tu, disse-me eu de dentro do espelho. &lt;br /&gt;Furioso com a resposta, parti o espelho; e nunca mais me consegui ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113792973366573384?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113792973366573384/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113792973366573384' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113792973366573384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113792973366573384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/visita.html' title='Visita'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113761973957478263</id><published>2006-01-18T21:23:00.000Z</published><updated>2006-01-18T21:28:59.606Z</updated><title type='text'>Quadra</title><content type='html'>Onde canta o rouxinol,&lt;br /&gt;pergunta o cangalheiro;&lt;br /&gt;na campa do girassol,&lt;br /&gt;responde o brejeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113761973957478263?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113761973957478263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113761973957478263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/quadra.html' title='Quadra'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113758431759139640</id><published>2006-01-18T11:32:00.000Z</published><updated>2006-01-18T11:38:37.610Z</updated><title type='text'>Cruzamento genético</title><content type='html'>Colocou uma questão filosófica:&lt;br /&gt;O que é que pode nascer do casamento de uma toupeira com uma onomatopeia?&lt;br /&gt;Depois de muito pensar, chegou a uma conclusão:&lt;br /&gt;a onomatoupeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113758431759139640?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113758431759139640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113758431759139640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/cruzamento-gentico.html' title='Cruzamento genético'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113715498960147378</id><published>2006-01-13T12:21:00.000Z</published><updated>2006-01-13T12:23:09.616Z</updated><title type='text'>Saída</title><content type='html'>Um personagem de romance perdeu-se no caminho.&lt;br /&gt;Veio ter comigo. Perguntou-me como podia sair. Empurrei-o&lt;br /&gt;para a última página. Quando lá chegou, pegou no fim e pô-lo&lt;br /&gt;no princípio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113715498960147378?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113715498960147378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113715498960147378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/sada.html' title='Saída'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113709266200910925</id><published>2006-01-12T18:59:00.000Z</published><updated>2006-01-12T19:04:22.036Z</updated><title type='text'>Insónia</title><content type='html'>O leitor histérico saltou da cadeira: &lt;br /&gt;Mas quem é este? Que quer? Quem julga ele que eu sou?&lt;br /&gt;O livro caiu-lhe das mãos, bateu-lhe no joelho e maltratou-lhe o pé.&lt;br /&gt;O leitor levantou o auscultador, marcou o número e chamou a polícia.&lt;br /&gt;-Prendam-me este livro, disse ele ao polícia, enquanto coxeava.&lt;br /&gt;O polícia agarrou o livro, pôs-lhe as algemas e levou-o para a esquadra.&lt;br /&gt;À noite, cansado de guardar o livro, o polícia olhou á sua volta, não viu ninguém, e tomou uma decisão: tirou as algemas ao livro, pegou nele, foi-se sentar e começou a ler.&lt;br /&gt;Muitas páginas depois, adormeceu.&lt;br /&gt;Quando acordou, o livro tinha fugido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113709266200910925?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113709266200910925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113709266200910925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113709266200910925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113709266200910925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/insnia.html' title='Insónia'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113689254960514325</id><published>2006-01-10T11:25:00.000Z</published><updated>2006-01-10T11:29:09.620Z</updated><title type='text'>A morte do cisne</title><content type='html'>O cisne deu uma volta no céu até chegar à nuvem, abriu o bico e... grasnou? Cantou? Chiou? Não, simplesmente agarrou a nuvem e começou a chupá-la, de uma ponta à outra, até a engolir toda, à medida que a barriga inchava até ocupar todo o céu onde antes havia a nuvem. Depois, começou uma chuva de cisne.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113689254960514325?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113689254960514325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113689254960514325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113689254960514325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113689254960514325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/morte-do-cisne.html' title='A morte do cisne'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113683554619931594</id><published>2006-01-09T19:29:00.000Z</published><updated>2006-01-09T19:39:06.256Z</updated><title type='text'>Filosofia de garganta</title><content type='html'>Todos temos um Kierkegaard atravessado na garganta. Tentamos tossir - kierke, kierke, gaard, aard, aard... - e as tentativas só pioram as coisas. As palavras não saem, a voz enrouquece, e todos nos olham com aflição. Mas se dizemos qual é o problema, quem irá acreditar? «O quê? Está a dizer que Kierkegaard é uma angina?!» Assim, a única solução é ficarmos com esta espinha kierkegaardiana, e de cada vez que vemos um espelho corremos até lá, abrimos a boca, voltando a cara à procura de uma luz que nos permita ver os gânglios, até descobrir que estão vermelhos com a angústia que o filósofo nos transmite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113683554619931594?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113683554619931594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113683554619931594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/filosofia-de-garganta.html' title='Filosofia de garganta'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113681528799695777</id><published>2006-01-09T14:00:00.000Z</published><updated>2006-01-09T14:01:28.010Z</updated><title type='text'>Aforismo 13</title><content type='html'>Como o treze dá azar&lt;br /&gt;este não vai ficar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113681528799695777?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113681528799695777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113681528799695777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-13.html' title='Aforismo 13'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113680313040808388</id><published>2006-01-09T10:37:00.000Z</published><updated>2006-01-09T10:38:50.423Z</updated><title type='text'>Aforismo 12</title><content type='html'>Com o Zé no telhado&lt;br /&gt;o bolso está furado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113680313040808388?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113680313040808388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113680313040808388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-12.html' title='Aforismo 12'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113672012401563810</id><published>2006-01-08T11:34:00.000Z</published><updated>2006-01-08T11:35:24.016Z</updated><title type='text'>Aforismo 11</title><content type='html'>Nunca comentes&lt;br /&gt;sem pôr as lentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113672012401563810?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113672012401563810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113672004588188105/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113672004588188105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113672004588188105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113672004588188105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-10.html' title='Aforismo 10'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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9'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113656110278730815</id><published>2006-01-06T15:24:00.000Z</published><updated>2006-01-06T15:25:02.800Z</updated><title type='text'>Aforismo 8</title><content type='html'>Quem anda de lado&lt;br /&gt;não sabe o que é estar parado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113656110278730815?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113656110278730815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113656110278730815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-8.html' title='Aforismo 8'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113654475907819034</id><published>2006-01-06T10:48:00.000Z</published><updated>2006-01-06T10:52:39.163Z</updated><title type='text'>Aforismo 7</title><content type='html'>Em cada linha atravessada&lt;br /&gt;há uma dobra espalmada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113654475907819034?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113654475907819034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' 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href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113650981988805949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113650981988805949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-6.html' title='Aforismo 6'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113646956919799639</id><published>2006-01-05T13:58:00.000Z</published><updated>2006-01-05T13:59:29.213Z</updated><title type='text'>Aforismo 5</title><content type='html'>Quando chove no quintal&lt;br /&gt;está sol em Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113646956919799639?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113646956919799639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113646956919799639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-5.html' title='Aforismo 5'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113632315585861812</id><published>2006-01-03T21:17:00.000Z</published><updated>2006-01-03T21:19:15.873Z</updated><title type='text'>Aforismo 4</title><content type='html'>Quem deita foguetes&lt;br /&gt;não apanha galhardetes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113632315585861812?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113632315585861812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113632315585861812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-4.html' title='Aforismo 4'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113631731736449181</id><published>2006-01-03T19:41:00.000Z</published><updated>2006-01-03T19:41:57.386Z</updated><title type='text'>Aforismo 3</title><content type='html'>Quem dá aos nobres&lt;br /&gt;empresta a Zeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113631731736449181?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113631731736449181/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113631731736449181' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113631731736449181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113631731736449181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-3.html' title='Aforismo 3'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113629717607509857</id><published>2006-01-03T14:05:00.000Z</published><updated>2006-01-03T14:06:16.076Z</updated><title type='text'>Aforismo 2</title><content type='html'>Com unto e banha&lt;br /&gt;o povo se amanha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113629717607509857?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113629717607509857/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113629717607509857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113629717607509857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113629717607509857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-2.html' title='Aforismo 2'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113629702462854118</id><published>2006-01-03T14:02:00.001Z</published><updated>2006-01-03T14:17:31.553Z</updated><title type='text'>Aforismo 1</title><content type='html'>As galinhas da capoeira&lt;br /&gt;põem os ovos na frigideira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113629702462854118?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113629702462854118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113629702462854118' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113629702462854118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113629702462854118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2006/01/aforismo-1_113629702462854118.html' title='Aforismo 1'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113604869102041249</id><published>2005-12-31T16:53:00.000Z</published><updated>2005-12-31T17:06:43.193Z</updated><title type='text'>A estatueta</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/Casa%20de%20campo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/Casa%20de%20campo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, restava-me uma turca no armário. Desembrulhei-a do plástico e pu-la em cima do aparador, como uma Vénus de Milo em filigrana, e atirei-lhe para cima com o foco do candeeiro. «Finge que és a Louise Brooks numa cadeira de praia, lendo as notícias enquanto não começam as filmagens.» A turca, atirando para o lado os fios dourados que a prendiam, saltou de cima do aparador e agarrou-me, perguntando-me o que fazia ali. «Não te lembras do Omar Khayam? Não mais recuperei desse vinho que me enfiaste pelos ouvidos, e continuo a ver o mundo em duplicado.» Pior: naquele momento, comecei a ouvir o mundo em duplicado porque, ao mesmo tempo que ela me falava ternamente ao ouvido direito, uma outra voz me entrava pelo ouvido esquerdo, num efeito de gravação ao contrário. Assim, do lado direito, ouvia turco; e do lado esquerdo parecia-me ouvir uma língua que, a princípio, me soava a russo, e finalmente se transformou em português.&lt;br /&gt;- Agora podemos entender-nos, disse-lhe.&lt;br /&gt;Mas ela abrira a porta da rua e entrou no meio da multidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113604869102041249?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113604869102041249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113604869102041249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/estatueta.html' title='A estatueta'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113597568981927220</id><published>2005-12-30T20:38:00.000Z</published><updated>2005-12-30T20:50:54.216Z</updated><title type='text'>Pequeno almoço</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/fruta.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/fruta.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plantada a turca no meu quintal de Larnaca, esperei que crescesse. Quando começou a primavera, o tronco já deitava flor; e mal chegou o verão, cresciam turcas em todos os ramos. Logo de manhã, abanava a árvore e fazia cair as turcas maduras ao chão. Apanhava-as, levava-as para a cozinha e espremia-as. Nunca me faltaram turcas enquanto lá vivi. O pior eram os pássaros que se atiravam às turcas ainda verdes, nos ramos. Tive de fazer um espantalho para os afugentar; mas durante a noite, quando o vento o fazia abanar, e os guizos tilintavam, as turcas assustavam-se. Logo de manhã, estavam todas encolhidas na copa. Tive de esconder o espantalho; e comecei a perder turcas, comidas pelos pássaros. Aproveitei-as para compota: metia-as em baldes, limpava-lhes a pele e estendia-as na mesa da cozinha, para as barrar de açúcar e canela. Depois, punha-as no armário; e isso criou-me um problema suplementar porque as formigas entravam por baixo da porta e iam atacá-las. Comecei a protegê-las com plástico. Aguentaram assim até ao inverno; e quando a árvore secou, ainda fiquei com turcas de sobra para ir comendo, enquanto esperava pela primavera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113597568981927220?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113597568981927220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113597568981927220' title='44 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113597568981927220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113597568981927220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/pequeno-almoo.html' title='Pequeno almoço'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>44</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113595286381492906</id><published>2005-12-30T14:12:00.000Z</published><updated>2005-12-30T14:30:29.663Z</updated><title type='text'>A noiva turca</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/1600/Yosemite.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1596/1040/320/Yosemite.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver-me livre de Lawrence, que desapareceu no meio dos beduínos engolidos pelas areias movediças, fiquei sozinho com a turca. Depois de lhe enxugar as lágrimas com uma folha de palmeira, levei-a para o cimo da duna e mostrei-lhe o horizonte:&lt;br /&gt;- Temos areia a toda a volta. A única salvação será pelo céu. &lt;br /&gt;Ela olhou-me com um ar suplicante, receando que lhe estivesse a indicar o caminho do Paraíso. Mas arranquei-lhe o lenço da cabeça, meti-o na boca do único grumete que sobrevivera ao desastre do oásis, e voltei a mandá-lo soprar. O lenço começou a encher, e formou um gigantesco balão ao qual nos agarrámos. O grumete continuava a soprar, fazendo um vento forte que nos empurrou para norte, em direcção ao Cairo. Quando avistei a primeira pirâmide, empurrei o grumete, que já só servia de lastro, e à medida que ele caía desamparado da altura das nuvens sobre o cume da pirâmide, onde ficou espetado com um frango no espeto ao sol do meio-dia, o balão foi descendo suavemente para nos depositar na principal avenida do Cairo, no meio de uma multidão de comerciantes e transportadores que mal deram por nós.&lt;br /&gt;A minha única hipótese de sobrevivência seria vender a turca, o que me permitiria alimentar-me durante algumas semanas, ou começar uma negociação com os meus vizinhos, que exibiam um conjunto de antiguidades que pretendiam vender aos turistas. A primeira hipótese estava a tornar-se difícil porque a turca se agarrara a mim como uma lapa, e recitava-me estrofes de Omar Khayam que me foram embriagando, ao ponto de começar a ver em duplicado as estatuetas que os vizinhos vendiam. Foi a salvação: agarrei todos os objectos em duplicado e meti-os no saco da turca, correndo até ao Museu onde os vendi por bom preço. Nessa mesma tarde metemo-nos num avião para Chipre, onde plantei a turca num jardim secreto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113595286381492906?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113595286381492906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113595286381492906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113595286381492906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113595286381492906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/noiva-turca.html' title='A noiva turca'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113538350736510989</id><published>2005-12-24T00:02:00.000Z</published><updated>2005-12-24T00:18:27.406Z</updated><title type='text'>Leite com Lenine</title><content type='html'>Na minha última viagem a Moscovo voltei a visitar o túmulo de Lenine. Depois de duas horas à espera, debaixo de neve, com o cérebro enregelado e as mãos a caírem aos bocados, entrei no edifício e fui levado, levado sim, até junto da múmia. Contemplei-a embevecidamente! Sou um leitor assíduo das obras completas de Lenine, e todos os dias, ao beber o copo de leite ao pequeno almoço, deito-lhe dentro, em vez de uma pedra de açúcar, uma frase assassina sobre a luta de classes. O leite escurece, deita fumo, e aquece-me a garganta. Ao sair de casa, posso falar com muito mais convicção, e isso começa quando compro o jornal porque, se peço o Diário de Notícias, o homem passa-me logo para as mãos o «Avante». &lt;br /&gt;- Não foi isto que eu pedi, digo-lhe.&lt;br /&gt;- Não se preocupe, camarada, responde-me o ardina. As notícias são as mesmas. Só tem de olhar para as fotografias e pensar que é pela imagem que se faz a revolução.&lt;br /&gt;E é assim todos os dias. Já tenho todas as paredes de minha casa forradas com páginas do «Avante», algumas divisões já têm Avantes sobre Avantes, e o homem dos jornais insiste em oferecer-me o jornal para que eu não passe frio.&lt;br /&gt;Também me aconteceu isso no túmulo de Lenine. O gelo que eu trazia da rua desfez-se, mal entrei; e o calor que a múmia me transmitiu deu-me alma nova. &lt;br /&gt;- Camarada, disse-lhe, o que pensa do mundo actual?&lt;br /&gt;- Não te preocupes com o que se passa à tua volta. A revolução começa em cada um de nós, mal nos levantamos da cama. Eu próprio, quando vivia, não fazia distinção entre o que se passava na cama e fora dela. Os meus sonhos eram todos revolucionários. Muitas vezes acordava, de noite, a cantar «A Internacional»; e a música encontrava eco na longa estepe, onde os cossacos apresentavam armas mal se apercebiam de que o hino nascia de dentro do meu sonho.&lt;br /&gt;O corpo de lenine estava de pé, e embora a boca permanecesse completamente selada, devido aos tratamentos que sofrera na altura da mumificação, a sua voz chegava-me com a perfeita entoação com que falara às massas.&lt;br /&gt;- Obrigado, camarada. Seguirei as tuas indicações e, quando voltar a minha casa, continuarei a beber o leite e a temperá-lo com as tuas máximas, para que o ardina me ponha o «Avante» no embrulho das compras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113538350736510989?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113538350736510989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113538350736510989' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113538350736510989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113538350736510989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/leite-com-lenine.html' title='Leite com Lenine'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113486353229737787</id><published>2005-12-17T23:41:00.000Z</published><updated>2005-12-17T23:52:12.316Z</updated><title type='text'>Mais conversa</title><content type='html'>- Estamos a conversar.&lt;br /&gt;- Muito bem. Estamos a conversar. mas do que é que estamos a conversar?&lt;br /&gt;- Já te disse: estamos a conversar sobre o facto de estarmos a conversar.&lt;br /&gt;- Já é uma boa conversa. Então, conversemos.&lt;br /&gt;- Se eu conversar, poderemos continuar a conversa?&lt;br /&gt;- Só se não saíres da conversa.&lt;br /&gt;- Não desconverses. Para que alguém converse, a única forma de o convencer a conversar é conversá-lo.&lt;br /&gt;- Mas sempre conversei; por que queres interromper a conversa?&lt;br /&gt;- Quando se conversa, só há uma maneira de continuar a conversa: conversar.&lt;br /&gt;- Já ouvi isto. E é por isso que estou farto desta conversa.&lt;br /&gt;- Não podes é pensar que, lá porque conversamos, tudo se reduz a conversas.&lt;br /&gt;- Muito bem: queres que eu te converse?&lt;br /&gt;- Só eu te converter à conversa.&lt;br /&gt;- Lá vens tu com a confusão do costume entre conversa e conversão.&lt;br /&gt;- É melhor do que a conversa do costume entre confusão e conversão.&lt;br /&gt;- E se converteres a confusão em conversa?&lt;br /&gt;- Pode ser que isso resulte.&lt;br /&gt;- Vamos conversar?&lt;br /&gt;- Vamos. Mas do que é que estávamos a conversar?&lt;br /&gt;- Da conversa.&lt;br /&gt;- É sempre a mesma conversa.&lt;br /&gt;- Seria pior se fosse sempre a mesma conserva.&lt;br /&gt;- E pior ainda se fosse sempre a mesma conversão.&lt;br /&gt;- Não voltes a essa conversa.&lt;br /&gt;- Então voltemos ao princípio.&lt;br /&gt;- Estamos a conversar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113486353229737787?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113486353229737787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113486353229737787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113486353229737787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113486353229737787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/mais-conversa.html' title='Mais conversa'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113465482951337323</id><published>2005-12-15T13:51:00.000Z</published><updated>2005-12-15T13:53:49.526Z</updated><title type='text'>Debate</title><content type='html'>- O mundo está cheio de dramas fogosos, disse o crítico.&lt;br /&gt;- O drama está cheio de damas fogosas, disse o autor.&lt;br /&gt;Não se entenderam a partir daqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113465482951337323?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113465482951337323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113465482951337323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/debate.html' title='Debate'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113406632439852464</id><published>2005-12-08T18:17:00.000Z</published><updated>2005-12-10T22:08:34.116Z</updated><title type='text'>Diálogo</title><content type='html'>- Estamos todos à espera que as duas catatuas comecem a falar.&lt;br /&gt;- Mas não sabes que as catatuas não falam?&lt;br /&gt;- Com efeito, se uma catatua não fala, por que haveriam duas catatuas de falar uma com a outra?&lt;br /&gt;- O absurdo da situação é que as catatuas se preparam para estar uma em frente da outra, e abrir a boca, alternadamente, como se pudessem falar.&lt;br /&gt;- Há um outro problema: as catatuas não têm nada para dizer.&lt;br /&gt;- Aqui põe-se um outro problema: é que cada uma das catatuas está convencida que tem alguma coisa para dizer. E a forma como vão abrir a boca pode criar a ilusão de que estão a dizer alguma coisa.&lt;br /&gt;- O problema está nas pessoas que vão ter pena das catatuas e vão pôr na boca delas o que elas queriam ouvir.&lt;br /&gt;- Então já sei como resolver a situação: enquanto as catatuas estiverem a abrir a  boca, vamos todos falar sobre o movimento dos seus lábios para as convencer de que estão a dizer o que nós queremos que elas digam.&lt;br /&gt;- Óptimo! assim, as catatuas vão ficar felizes.&lt;br /&gt;- E nós também!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113406632439852464?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113406632439852464/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113406632439852464' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113406632439852464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113406632439852464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/dilogo.html' title='Diálogo'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113381159883855411</id><published>2005-12-05T19:38:00.000Z</published><updated>2005-12-05T19:47:50.400Z</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>Quando entrei na sala, havia qualquer coisa no ar.&lt;br /&gt;- Não sentes uma coisa estranha? perguntei ao caçador.&lt;br /&gt;- Claro que sim, disse-me ele, como se fosse uma evidência. É o silêncio que anda pelo ar.&lt;br /&gt;- E não fazes nada?&lt;br /&gt;O caçador olhou-me com espanto, como se eu tivesse dito um disparate. Pegou na espingarda, apontou-a ao ar, e deu um tiro.&lt;br /&gt;- Ouves?&lt;br /&gt;Apurei o ouvido, e soou-me o baque de qualquer coisa a cair no chão.&lt;br /&gt;- O que é isto? perguntei-lhe.&lt;br /&gt;- É o silêncio. Acertei-lhe em cheio.&lt;br /&gt;Tirou o saco que levava às costas, aproximou-se do objecto e meteu-o no saco.&lt;br /&gt;- Mais um pedaço de silêncio para levar para casa. Foi um dia em cheio. Com tantos silêncios no ar, nenhum caçador vai de mãos a abanar.&lt;br /&gt;- Poeta!, rosnei-lhe. E deixei-o ir embora, enquanto o ar se enchia de barulho.&lt;br /&gt;- Eh, eh, gritou-me de longe. Matei o silêncio todo, agora vais ficar cheio de ruído.&lt;br /&gt;Ainda corri atrás dele, para ver se me matava o ruído, mas nada. Fiquei com todo o barulho à minha volta, a pensar se havia de usar uma fisga para o caçar, ou se uma simples ratoeira para barulhos de parede chegaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113381159883855411?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113381159883855411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113381159883855411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113381159883855411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113381159883855411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/silncio.html' title='Silêncio'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113371876690901117</id><published>2005-12-04T17:44:00.000Z</published><updated>2005-12-04T20:48:31.846Z</updated><title type='text'>Sombras</title><content type='html'>É assim: &lt;br /&gt;há quem ande com a sombra direita;&lt;br /&gt;há quem ande com a sombra ao contrário;&lt;br /&gt;e há quem se tenha tornado a sua própria sombra.&lt;br /&gt;O homem da sombra direita não precisa de se voltar para trás porque a própria sombra se encarrega de o empurrar para a frente;&lt;br /&gt;o homem da sombra ao contrário passa a vida a bater com o nariz na sombra;&lt;br /&gt;e o que se transformou na sua sombra rodopia sobre si próprio, para ver se se liberta dela, com tanta velocidade que parece uma ventoinha.&lt;br /&gt;Este último é o caso mais interessante porque, se pegássemos nele e lhe atássemos um fio eléctrico, daria energia para iluminar a inteligência dos que pensam que é nele que está a solução.&lt;br /&gt;Quanto ao que bate com o nariz na sombra podia ser transformado num pica-pau.&lt;br /&gt;E quanto ao que não se volta para trás, o melhor é irmos atrás dele, devagar, para que ele não dê por nós, e roubarmos-lhe a sombra. &lt;br /&gt;A sombra de um homem que anda a direito ainda vale uns tostões no prego.&lt;br /&gt;E se pegarmos no pica-pau e batermos com ele na sombra que está no prego, podemos plantá-la na terra para ver se dá tronco.&lt;br /&gt;Com os verões que estão para vir,uma árvore de sombra pode ser muito útil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113371876690901117?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113371876690901117/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113371876690901117' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113371876690901117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113371876690901117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/sombras.html' title='Sombras'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113369456992647213</id><published>2005-12-04T11:02:00.000Z</published><updated>2005-12-04T11:09:29.943Z</updated><title type='text'>Tempos</title><content type='html'>O homem deu uma volta sobre si próprio, e descobriu que a sombra dele também deu uma volta sobre si próprio.&lt;br /&gt;- Isto é contra as leis da natureza. Uma sombra tem de ficar virada para o mesmo lado, e se eu der a volta sobre mim próprio ela fica quieta. É a primeira vez que vejo uma sombra mexer-se contra a orientação do sol.&lt;br /&gt;Voltou a dar uma volta sobre si próprio. Desta vez, a sombra não se mexeu.&lt;br /&gt;- Aqui está uma sombra inteligente. Expliquei-lhe as leis da natureza, e ela aprendeu tudo.&lt;br /&gt;E o homem ficou quieto. Nessa altura, a sombra deu uma volta sobre ele próprio.&lt;br /&gt;- O que é isto?&lt;br /&gt;- Isto sou eu a mexer, disse a sombra.&lt;br /&gt;O homem encolheu os ombros e pensou:&lt;br /&gt;- Nos tempos que correm, até a natureza deixou de ter leis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113369456992647213?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113369456992647213/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113369456992647213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113369456992647213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113369456992647213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/12/tempos.html' title='Tempos'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113266447475064692</id><published>2005-11-22T12:52:00.000Z</published><updated>2005-11-22T13:01:14.766Z</updated><title type='text'>Opções</title><content type='html'>- O mundo anda nervoso, disse-me o cão.&lt;br /&gt;Com efeito, olhei à minha volta: uns, corriam mais depressa do que podiam; outros, contavam pelos dedos para ver se o tempo andava para trás; e outros ainda olhavam em alvo, à espera que a seta acertasse no centro que ninguém via.&lt;br /&gt;Mas custava-me muito aceitar que o cão estivesse certo. Não podia ser. Aind apor cima, o cão começou a transformar-se em gato, ou melhor, em gata: cresciam-lhe bigodes, os olhos amaciavam-se, o corpo tornava-se sedoso. E o pior é que reconhecia nele os lábios de Corina, as sobrancelhas de Marinella, as unhas de Fílis.&lt;br /&gt;- Só o que faltava é que te viesses deitar no meu colo.&lt;br /&gt;E não é que veio mesmo? Sem saber como, tinha no meu colo Corina, Marinella e Fílis, miando, à espera que lhes passasse a mão pelo pêlo.&lt;br /&gt;- Não se enervem. O problema está na escolha.&lt;br /&gt;Moral da história: cada uma foi para seu lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113266447475064692?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113266447475064692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113266447475064692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/opes.html' title='Opções'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113248256304985166</id><published>2005-11-20T10:17:00.000Z</published><updated>2005-11-20T10:29:23.080Z</updated><title type='text'>Pavlov</title><content type='html'>O pior é que o cão veio atrás de mim, a coxear de uma pata.&lt;br /&gt;- Querem ver que me considera o dono dele?&lt;br /&gt;- Um filósofo não tem dono.&lt;br /&gt;A sua afirmação peremptória irritou-me. Peguei numa gamela, enchi-a de água, pus um pedaço de carne seca ao lado, e fiquei a ver o que fazia. A princípio, limitou-se a cheirar a carne, e passou a boca pela superfície da água, sem beber. No entanto, salivava.&lt;br /&gt;- Vejo que leste o Pavlov.&lt;br /&gt;- Apenas para contestar a sua teoria. Soube, pelo cão dele, que pavlov se limitou a adaptar a sua experiência pessoal ao universo dos cães. Todos os dias a mulher lhe punha em frente um prato de papa de cereais e, quando ele ia levar a colher à boca, ela retirava o prato. Ao fim de uma semana ela teve de lhe pôr um guardanapo para ele limpar a boca que espumava de guloseima, sempre que o prato desaparecia.&lt;br /&gt;Não comentei esta informação, que me pareceu perfeitamente justa.  Também conheci um génio que, quando  abria a janela todos os dias, de manhã, via um pássaro pousar na árvore em frente da casa dele. Descobriu então que era o impulso do ar quente que saía de dentro da casa que, em contacto com o ar frio do exterior, puxava o pássaro da nuvem onde estava para a árvore, criando um efeito de repetição que o atormentou porque, pensava ele, no dia em que deixasse de abrir a janela seria o próprio equilíbrio cósmico que chegaria ao fim. Um dia, deixou-se dormir até mais tarde; e ao ver que falhara a abertura da janela pensou que o mundo acabara. Fechou a porta do quarto à chave, meteu-se debaixo dos lençóis para não ver o apocalipse, e ficou à espera. Ainda hoje não sabem dele.&lt;br /&gt;- Vi a sua múmia no museu antropológico. Tem os olhos esbugalhados pelo terror.&lt;br /&gt;Concordei com o cão. O pior que se pode fazer é acreditar na lógica que se desenvolve para lá das nossas cabeças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113248256304985166?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113248256304985166/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113248256304985166' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113248256304985166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113248256304985166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/pavlov.html' title='Pavlov'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113242650637034863</id><published>2005-11-19T18:41:00.000Z</published><updated>2005-11-19T18:55:06.416Z</updated><title type='text'>Doutrina</title><content type='html'>Quando o cão vendeu toda a sua colecção de aforismos, cada um deles mais tinhoso do que o outro, e se viu desempregado, apanhou uma depressão. Peguei-lhe na trela e puxei-o até ao jardim, onde nos sentámos num banco, em frente da fonte dos Amores, no centro da qual uma Vénus seminua cuspia um jorro de água em permanência pela boca de pedra, e dois tritões se entortavam para receber o líquido nas guelras, de onde espirrava para o tanque onde nadavam três cisnes de bico vermelho.&lt;br /&gt;- Não te parece estranha esta conjugação matemática, que vai de um a três, partindo do mais alto para o mais baixo?&lt;br /&gt;- Não me parece ela mais estranha do que a que resulta do vermelho dos bicos dos três cisnes.&lt;br /&gt;Confesso que estranhei ver um cão a falar; mas como se tratava de um cão filósofo, o espanto foi atenuado; e mais atenuado ainda quando ele continuou:&lt;br /&gt;- O meu objectivo é obrigar os teus concidadãos a unirem a reflexão matemática à observação do mundo. Se o fizerem, poderei ter todos os ossos de que preciso para me alimentar.&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;- Porque quanto mais os ouço mais fico sem osso; e quanto mais eles me ouvem menos quero que me louvem.&lt;br /&gt;Percebi logo que se tratava de um cão misantropo. Com a trela, dei-lhe umas pancadas no focinho, para o ensinar; e logo ele me mordeu, deixando-me a sangrar da mão.&lt;br /&gt;- Está bem. Estamos quites.&lt;br /&gt;Levantei-me e deixei-o a falar sozinho. E ali ficou, até que as palavras acabaram por se transformar em latidos, Vénus deixou de deitar água pela boca, os tritões ficaram de guelras secas e os cisnes morreram, como era sua obrigação.&lt;br /&gt;-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113242650637034863?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113242650637034863/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113242650637034863' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113242650637034863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113242650637034863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/doutrina.html' title='Doutrina'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113235159041602081</id><published>2005-11-18T21:54:00.000Z</published><updated>2005-11-19T13:31:16.690Z</updated><title type='text'>Filosofia com chuva</title><content type='html'>Chove sobre toda a Arcádia; e também eu me perco&lt;br /&gt;nesta água que salta de dentro das nuvens, enche os ribeiros, e&lt;br /&gt;corre por entre as pedras da cidade levando os aluviões&lt;br /&gt;de palavras que por aqui caíram quando as multidões&lt;br /&gt;se juntavam, nos dias de mercado, troçando dos homens&lt;br /&gt;e trocando as suas críticas por sacos de nozes e de centeio.&lt;br /&gt;Aproveitei não estar ninguém, à chuva, e fui até ao meio&lt;br /&gt;da ágora para debitar o meu discurso: «Ouvi-me: se&lt;br /&gt;quereis fazer alguma coisa pela república, elaborai um&lt;br /&gt;plano de silogismos. De um lado, tereis os que concluem&lt;br /&gt;pela razoabilidade do ser; do outro, os que pretendem&lt;br /&gt;que tudo é absurdo.» Não cheguei ao fim: um cão tinhoso&lt;br /&gt;saiu de entre as colunas, e pôs-se a ladrar à minha voz.&lt;br /&gt;Reconheci-o: era o cão filósofo, que pretende saber tudo&lt;br /&gt;sobre o homem, e quando o contrariam morde as canelas&lt;br /&gt;do adversário. Corri atrás dele; mas escorreguei numa laje&lt;br /&gt;e bati com a cabeça na pedra. Acordei com o cão a&lt;br /&gt;lamber-me a ferida. Percebi que o seu gesto era&lt;br /&gt;interesseiro: com o sangue da cabeça, estava a chupar-me&lt;br /&gt;os pensamentos. No dia seguinte, quando cheguei&lt;br /&gt;à praça, lá estava ele, no seu canto, a distribuir&lt;br /&gt;silogismos em troca de ossos. Nem num cão tinhoso&lt;br /&gt;podemos confiar, quando chove, e o chão escorrega.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113235159041602081?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113235159041602081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113235159041602081' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113235159041602081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113235159041602081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/filosofia-com-chuva.html' title='Filosofia com chuva'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113148014721713566</id><published>2005-11-08T19:56:00.000Z</published><updated>2005-11-08T20:45:31.896Z</updated><title type='text'>Nomes</title><content type='html'>Senhor Marquês&lt;br /&gt;com tanta pedra partida, fiz uma muralha à minha volta, e agora estou completamente protegido contra Marinellas, Corinas, e quantas outras aparecerem a perturbar-me o juízo. Mas não pense que estou sozinho. Dentro do meu castelo, na casa da guarda, apareceu uma jovem armada até aos dentes.&lt;br /&gt;- Que fazes aqui?, perguntei-lhe.&lt;br /&gt;- Sou a guarda deste castelo.&lt;br /&gt;- Mas como pode isso ser, se o castelo fui eu quem o fez e não vi ninguém entrar para dentro dele?&lt;br /&gt;- Todos os castelos têm uma casa da guarda, e todas as casas da guarda têm uma guarda, ou seriam apenas casas.&lt;br /&gt;A lógica dela venceu-me. No fundo, o problema está em que as coisas saem de dentro dos nomes; e nunca pensei, quando fiz uma casa da guarda, que a guarda do nome me aparecesse pela frente armada com o seu nome de guarda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113148014721713566?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113148014721713566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113148014721713566' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113148014721713566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113148014721713566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/nomes.html' title='Nomes'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113087046762138954</id><published>2005-11-01T18:27:00.000Z</published><updated>2005-11-01T18:44:30.613Z</updated><title type='text'>Partir pedra</title><content type='html'>Querido Giacomo&lt;br /&gt;As tuas infelicidades tocaram-me o coração neste período da minha vida em que tenho a cabeça às voltas. Lembras-te de Marinella? Pois acabo de a reencontrar, mais uma vez num baile, e o pé dela veio ter comigo quando eu dançava com Corina para me afastar dela, e obrigar-me a olhá-la. Comecei pelo pé; depois subi pela perna; e acabei nos olhos, que são como bem sabes um abismo onde&lt;br /&gt;desembocam todos os caminhos do inferno e do paraíso. Puxou-me para o canto da janela, e aí me contou que o Diabo, farto da sua presença, a expulsara do palácio, e desde essa altura tem corrido o mundo à minha procura, segundo ela me disse, para se desculpar. Não acredito numa palavra do que diz; e como sabes, nenhuma palavra, hoje, tem ponta por onde alguém lhe pegue, o que nos obriga a tentar perceber por onde é que é possível chegar ao conhecimento da verdade de alguém sem ser pela sua boca.&lt;br /&gt;Foi o que fiz; e, seguindo esse caminho dos olhos, acabámos os dois embasbacados, em frente um do outro, pensando que devíamos pôr de lado todas as conversas para que apenas a acção especulativa dos corpos - que tem a ver com a prática ancestral do amor, como bem sabes - nos mantivesse unidos. Estávamos nisto quando ela abriu a boca (e é pela boca que morre o peixe!) e me disse:&lt;br /&gt;- Tenho fome.&lt;br /&gt;Acabámos num restaurante, abrindo as entranhas de uma lagosta, e tentando ler nas linhas vermelhas da sua cabeça o destino que nos esperava.&lt;br /&gt;- Vejo uma pedra, disse ela. E dentro dessa pedra o homem de onde ela nasceu.&lt;br /&gt;Puxando pela coisa, chegámos à conclusão de que esse homem eras tu. Mas se ele eras tu, quem seria a pedra? Puxando mais pela coisa, vi que saía uma pedra de dentro da lagosta; e essa pedra falou-nos:&lt;br /&gt;- Sou o filho de Giacomo, atirado ao oceano por um grupo de piratas. Felizmente, esta lagosta engoliu-me, e agora estou aqui, no vosso prato, para que me deis a educação que mereço.&lt;br /&gt;Logo Marinella me sussurrou ao ouvido:&lt;br /&gt;- Não gosto do oportunismo desta pedra, Marquês. Vamos deitá-la na roda.&lt;br /&gt;E foi o que fizemos. Podes, por isso, estar seguro de que o teu calhau terá uma sólida formação religiosa, e talvez um dia o encontres, nalgum confessionário, a ouvir os teus pecados, porque tanto andarás até que batas com esta pedra no meio do teu caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113087046762138954?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113087046762138954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113087046762138954' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113087046762138954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113087046762138954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/partir-pedra.html' title='Partir pedra'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113086935318683942</id><published>2005-11-01T18:08:00.000Z</published><updated>2005-11-01T18:22:33.263Z</updated><title type='text'>Amor de pai</title><content type='html'>Olha, Marquês, não passou uma semana sobre este negócio com o velho, e já tinha atrás de mim os cães que, como tu sabes, não nos largam se percebem que temos uma canela à vista para eles roerem. Antes que me chegassem ao osso, e daí ao tutano, resolvi pegar numa embarcação e pôr-me ao fresco; o que fiz, mas não sem que me metessem lá dentro um pedregulho que, diziam, nascera do meu contacto com a estátua. Passada a rebentação, o barco chegou ao mar pacífico, preparado para a viagem que me levaria de regresso ao continente. Foi então que o calhau começou a levantar a voz. Primeiro choramingou; e quando o ameacei com um martelo, atirou-me à cara o seu destino de basalto, como se isso não fosse um sinal da sua solidez. «É só por isso que não começo já a partir-te aos bocados, para te atirar ao fundo deste oceano!» E ele: «Ó pai cruel, verdugo da minha natureza vulcânica! Fica sabendo que cairei sobre ti logo que uma onda o permita, para te deixar esmagado no convés.» Percebi nessa altura que até uma pedra pode pensar, se a mão do escultor por ela passou, alisando-a e dando-lhe a forma de um corpo humano. Tentei convencê-la de que se devia reduzir à sua condição de matéria dura e sólida, mas o rochedo não me deu tempo a continuar, pedindo-me um pouco de carinho, e que o tomasse nos meus braços, como se eu tivesse força para o levantar.&lt;br /&gt;Com esta conversa, nem reparei que um outro barco se tinha aproximado, e todos os marinheiros estavam de boca aberta, olhando para este estranho diálogo entre um homem e um mineral. Quando reparei neles, já um destacamento saltara para dentro do meu veleiro e, vestindo-me uma camisa de forças, empurraram-me para um beliche, pouco lhes importando que eu lhes gritasse que não me queria separar do meu filho. Com efeito, o diálogo, embora inamistoso, enchera-me de alguma ternura por aquele pedaço inorgânico onde um pouco da minha vida perpassava; e quando soube que o tinham afundado, juntamente com a nave, vieram-me as lágrimas aos olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113086935318683942?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113086935318683942/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113086935318683942' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113086935318683942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113086935318683942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/11/amor-de-pai.html' title='Amor de pai'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113035737879345828</id><published>2005-10-26T20:51:00.000+01:00</published><updated>2005-10-26T21:09:38.800+01:00</updated><title type='text'>Negócio</title><content type='html'>Marquês&lt;br /&gt;Esta manhã tinha uma pedra na minha caixa de correio, onde li: «Espero por ti». A assinatura, trémula e riscada, era do velho Chupoltec, que me chamava à sua presença. Quando bati à porta da sua choupana, um séquito de criadas pôs-se a abanar grandes folhas de papaia, para me limpar o ar do fumo do incenso que envolvia o velho Totem. Mandou-me sentar num banco feito com as tíbias de inimigos, que tinham sido coladas com óleo de amendoim, cheirando a peixe morto, e serviu-me um refresco de maracujá numa taça que tinha um pé de bronze, sobre o qual havia um crânio untado de gordura de bode.&lt;br /&gt;- É deliciosa a tua bebida, nobre Chupoltec, disse-lhe mal levei à boca  o objecto mortuário.&lt;br /&gt;- Acabou de ser espremida pelos meus servos, e tenho muito gosto em que a bebas por esse crânio, que vem do meu defunto rival, a quem tive o cuidado de partir todos os ossos menos a cabeça, para poder fazer essa peça preciosa.&lt;br /&gt;Quando cuspi a última semente do maracujá, disse ao personagem:&lt;br /&gt;- Que me queres? Pediste que viesse à tua presença, e aqui estou.&lt;br /&gt;- Quero que abandones esta ilha, disse-me. Tens um barco pronto para embarcares, e já lá mandei meter a estátua que fizeste procriar, e que deve estar quase a dar à luz.&lt;br /&gt;- Como sabes que o filho é meu, Senhor?&lt;br /&gt;Como deves imaginar, caro Marquês, a última coisa que me interessa, neste momento, é pagar a educação de um calhau! Bem sei que os nossos bancos de escola estão cheios de tal matéria bruta, mas ao menos não sou eu que tenho de lhes comprar estiletes e ardósias para eles fazerem as suas contas.&lt;br /&gt;- Giacomo, sejamos sérios, disse-me o Bonzo, se não queres partir, terás de me jurar que terei o teu apoio.&lt;br /&gt;Nesse instante, todas as criadas estavam à minha volta, e agitavam os espetos em que costumavam assar os fígados dos indígenas apanhados a vaguear pelas redondezas.&lt;br /&gt;- Tens o meu apoio se atirares a estátua para o mais fundo dos abismos que rodeiam esta ilha.&lt;br /&gt;- Podes ficar.&lt;br /&gt;Como vês, meu amigo, não há nada que se não compre quando temos alguma coisa para vender. E logo me retirei, deixando o Soba a dormitar no seu canto escuro.&lt;br /&gt;Saúde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113035737879345828?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113035737879345828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113035737879345828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/negcio.html' title='Negócio'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113031964848922787</id><published>2005-10-26T10:28:00.000+01:00</published><updated>2005-10-26T10:40:48.496+01:00</updated><title type='text'>Dança dos mortos</title><content type='html'>Caro Marquês&lt;br /&gt;Ouvi ontem o velho Chupoltec. É um dos ídolos desta gente; adoram-no; e funciona para eles como um desses amuletos que se põe à janela para expulsar os espíritos malignos. O problema é que não disse nada. Mas é sempre assim: quanto menos diz, mais gostam dele. À sua volta havia um grupo de velhos sacerdotes, cada um mais decrépito do que o outro. Andaram em procissão à volta de um espantalho que, diziam, nos ameaça a todos. Gritavam-lhe impropérios. Tentei espreitar a cara do boneco, para ver se correspondia a alguém conhecido, mas não me deixaram: «Acredita em nós! Este é o monstro que temos de mandar para o Inferno!» A tenda onde tudo isto se passava estava cheia de fumo, que vinha dos turíbulos de incenso das mulheres que os agitavam em frente dos velhos, para que eles não percebessem que estavam sozinhos. De qualquer modo, eram tão cegos como morcegos, o que explica que não consigam ver em que mundo vivem. Ainda tentei explicar  a um deles, que parecia mais novo do que os outros, que a estátua do monstro não passava de uma vassoura coberta de palha; mas ele não me ouvia, gritando: «Chupoltec, és o nosso leque!»&lt;br /&gt;Assim vai a vida nesta ilha.&lt;br /&gt;Vale&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113031964848922787?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113031964848922787/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113031964848922787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113031964848922787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113031964848922787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/dana-dos-mortos.html' title='Dança dos mortos'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-113018703155748665</id><published>2005-10-24T21:28:00.000+01:00</published><updated>2005-10-25T21:46:49.016+01:00</updated><title type='text'>Procriação</title><content type='html'>Caro Marquês&lt;br /&gt;A situação é simples, e dir-te-ei o que se passa: depois de atravessar o estreito de Magalhães, empurrado pelas correntes, a minha escuna «As onze mil virgens» foi parar a uma ilha em que desembarquei para me abastecer de água. Qual não foi o meu espanto quando encontrei, ao longo de extensos relvados que subiam pela encosta, estátuas de pedra que me fixavam com os seus olhos penetrantes. E sabes o que aconteceu? Mal viram quem eu era, saltaram de onde estavam para começar a dançar à minha volta. Sei que te poderá surpreender esta visão das estátuas dançando; mas quando há por aí tanto calhau a passear à nossa volta, não creio que este acontecimento seja fora do normal. Sentei-me no centro da sua dança, esperando que parassem; e logo que isso aconteceu, já o Sol começava a baixar, cada estátua falava com a do lado, perguntando quem seria este novo habitante da ilha. Do meu lugar, ia apreciando as suas formas; e fixei-me numa delas, cuja beleza sobressaía à das outras. Quando o Sol caiu, segui-a para o seu lugar; e passámos a noite numa amena conversa, dura como o basalto, mas cheia de fricções que faíscavam como pederneira. Acordei com várias queimaduras nas mãos, devido à rudeza do nosso encontro, mas ainda guardo as palavras pétreas que ela deixou metidas nos meus ouvidos, e que vou tentando tirar com uma pinça. Cada palavra, mal a tiro, ponho-a num tabuleiro; e vou formando uma longa frase, que vem do princípio dos tempos em que estas estátuas foram construídas. Há pouco, antes de embarcar, uma outra estátua veio ter comigo para me dizer que a sua companheira se sentia grávida. Vou, por isso mesmo, ter um filho de pedra;e se me incomodares ainda te atiro com esse filho à cabeça.&lt;br /&gt;Saúde&lt;br /&gt;Giacomo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-113018703155748665?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/113018703155748665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=113018703155748665' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113018703155748665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/113018703155748665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/procriao.html' title='Procriação'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112963715298976127</id><published>2005-10-18T12:55:00.000+01:00</published><updated>2005-10-18T13:05:53.026+01:00</updated><title type='text'>Novas fronteiras</title><content type='html'>Caro Marquês&lt;br /&gt;Estou sem noticias tuas, e tu sem noticias minhas. Mas se isso acontece, devo dizer-te que  isso se deve ao pouco que me importas. Um Marquês que teve o seu tempo pode continuar a existir; os deuses concedem-lhe esse direito. Mas do mesmo modo concedem aos que existem ao lado dele o dever de o deixarem existir na sua pequena existência. Quanto a mim, se quiseres saber onde estou podes atravessar o oceano, dobrar o velho Estreito e subir ao longo do Continente, na zona que as montanhas circundam com as suas neves eternas. Vejo-as daqui; e posso dizer-te que devias subir a esses cumes e respirar o ar puro dos confins, saindo desse quarto de hotel que transformaste em obscuro reduto de velhas melancolias.&lt;br /&gt;Giacomo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112963715298976127?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112963715298976127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112963715298976127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/novas-fronteiras.html' title='Novas fronteiras'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112896849297599574</id><published>2005-10-10T19:09:00.000+01:00</published><updated>2005-10-10T19:21:32.986+01:00</updated><title type='text'>Room service</title><content type='html'>Quando o Marquês entrou no átrio do hotel, se dirigiu ao balcão, e pediu a chave do quarto 9, o empregado já não precisou de pensar duas vezes:&lt;br /&gt;- A sua vaca já a levou.&lt;br /&gt;O Marquês, que não esperava por aquela notícia, correu para a escada e subiu ao primeiro andar. Quando chegou á porta do quarto pensou duas vezes, antes de bater. Quando se pensa uma vez, as ideias começam a mexer; ao pensar duas vezes, batem umas nas outras e começam a cair. O Marquês, quando viu que a sua cabeça estava cheia de ideias no meio do chão, começou a apanhá-las; foi nessa altura que Afonsina ouviu barulho no corredor e veio abrir a porta.&lt;br /&gt;- Ainda bem que chegaste primeiro do que eu, disse-lhe o Marquês.&lt;br /&gt;E, empurrando-a para a cama, tirou o olho da algibeira, abriu-lhe a órbita e meteu-o lá dentro.&lt;br /&gt;- Agora já me podes ver.&lt;br /&gt;Afonsina sentiu-se, de novo, uma vaca completa. Correu para o espelho e surpreendeu-se:&lt;br /&gt;- Como fico bela com os meus dois olhos no sítio.&lt;br /&gt;- Todos deviam ter os olhos no sítio. Assim, evitavam fazer asneiras.&lt;br /&gt;- Tanto lugar comum, senhor Marquês!, disse a empregada, saindo da casa de banho.&lt;br /&gt;- Que fazia aí, perguntou o Marquês.&lt;br /&gt;- Estive a passar-lhe os livros a ferro.&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;Correndo para a casa de banho, o Marquês descobriu o pior: a empregada passara-lhe a ferro a «Filosofia na alcova»; e, depois de a dobrar e meter no cesto, o resultado eram «Os desastres de Sofia» da Condessa de Ségur.&lt;br /&gt;- Já viu o que me fez à obra?&lt;br /&gt;- Sim, senhor Marquês. E se quiser que o passe a ferro, pode deitar-se na tábua.&lt;br /&gt;Receando que ela o transformasse num menino de coro, o Marquês abriu a porta, tirou uma nota e, pagando-lhe o serviço, mandou-a embora.&lt;br /&gt;- Quem aqui se deita não volta a fazer empreita!&lt;br /&gt;Afonsina, de olhos abertos, sonhava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112896849297599574?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112896849297599574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112896849297599574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/room-service.html' title='Room service'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112896777810910743</id><published>2005-10-10T19:03:00.000+01:00</published><updated>2005-10-10T19:09:38.130+01:00</updated><title type='text'>Regresso ao hotel</title><content type='html'>Quando o empregado da recepção viu entrar Afonsina no átrio, sem um olho, avançar até junto do balcão e pedir a chave do quarto 9, pensou uns instantes, e depois reagiu como um profissional. «Se uma vaca me pede a chave do quarto, é porque dorme lá.» Tirou a chave da caixa, e entregou-a a Afonsina.&lt;br /&gt;- Obrigado, disse ela.&lt;br /&gt;_ Aí está uma vaca bem educada, pensou o homem.&lt;br /&gt;E voltou a sentar-se na cadeira, em frente do écrã de televisão onde estavam a dar a tourada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112896777810910743?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112896777810910743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112896777810910743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/regresso-ao-hotel.html' title='Regresso ao hotel'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112864321767832018</id><published>2005-10-07T00:50:00.000+01:00</published><updated>2005-10-07T21:55:44.370+01:00</updated><title type='text'>Eclipse</title><content type='html'>O olho cristalino de Afonsina fixa-me de dentro da água do bebedouro. «Sabes do meu olho?«, perguntou-me ela. «O teu olho?» É verdade: olhei para o rosto da pobre Afonsina, e uma das órbitas estava vazia. «Tens um olho de vidro?» E ela, de gatas, à procura do olho: «Tenho, deve estar aqui no meio da relva.» Não lhe disse nada, meti a mão na água do bebedouro, e tirei o olho, isto é, só o tirei até meio, antes de o voltar a deixar cair, porque reparei que o sol começara a escurecer à medida que o olho saía de dentro de água. «Queres ver que este olho é o reflexo da Lua, e que ao movê-lo estou a meter a Lua à frente do Sol?», pensei.&lt;br /&gt;- Ouve, Afonsina: e se ficares sem olho?&lt;br /&gt;- O que queres dizer com isso, Marquês?&lt;br /&gt;- Não sabias que o teu olho é uma Lua?&lt;br /&gt;- Já tinha notado que, por vezes, ele começa a decrescer até ficar completamente invisível, e depois volta a crescer até ficar cheio.&lt;br /&gt;- É isso mesmo; e estás agora a atravessar uma fase de Lua Nova, por isso não te preocupes.&lt;br /&gt;Com a minha explicação, Afonsina ficou mais tranquila, levantou-se e correu para dentro de casa. Eu voltei ao bebedouro, tirei o olho de dentro da água e, quando o Sol ficou completamente tapado com o movimento que fiz dar ao olho de vidro, fui ter com ela:&lt;br /&gt;- É noite, Afonsina. Vamo-nos deitar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112864321767832018?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112864321767832018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112864321767832018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112864321767832018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112864321767832018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/10/eclipse.html' title='Eclipse'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112786039208395255</id><published>2005-09-27T23:20:00.000+01:00</published><updated>2005-09-27T23:37:12.170+01:00</updated><title type='text'>Filosofia do bebedouro</title><content type='html'>A questão central que se coloca está na própria natureza do objecto. Quando precisamos de beber, e abrimos a torneira, é o acto de a abrir que mata a sede, antes ainda de bebermos a água. Do mesmo modo, ao encher o copo, o que temos na mão é o copo, e não a água. O continente basta para nos saciar de conteúdo, e só quando a sede nos consome é que batemos na torneira avariada, para que a água saia, ou partimos o copo, quando não tem água. Também podemos levar este acto à redundância, quando pomos o copo debaixo da torneira e a água se converte no elo de ligação entre os dois objectos, levando-nos a concluir que o conteúdo enche a forma.&lt;br /&gt;Este fenómeno não se verifica no bebedouro, onde vamos beber sempre que quisermos porque, ali, a água não se esgota, não sabemos bem por qual razão. Todos lá bebem: as moscas, os pássaros, as osgas, os mosquitos, as libélulas, o Marquês, a vaca, enfim, toda a humanidade se pode dessedentar nesse vasto bebedouro a que só falta uma comporta para se transformar no reservatório universal. No entanto, tudo tem uma falha; e se alguém fizer um buraco no fundo, lá se vai a água, ficando Afonsina e o Marquês completamente a seco, e olhando para o céu à espera que chova.&lt;br /&gt;A ideia de que o céu é uma torneira é fundamental, neste contexto, porque podemos ter duas reacções diferentes neste caso:&lt;br /&gt;bater com o copo na torneira celeste para ver se ela começa a deitar água, mesmo que o copo se parta e os vidros encham a terra;&lt;br /&gt;ou pôr o copo debaixo da torneira, para o encher com a chuva, impedindo que a água caia para o bebedouro, onde Afonsina e o Marquês vão continuar a olhar para o céu, e a verem o copo a encher, sem perceberem por que razão a água não cai para dentro do bebedouro.&lt;br /&gt;Assim, ambos poderão dizer o famoso axioma do erro: «O céu está a meter água.» O problema é que será apenas o céu a meter água, e não a terra.&lt;br /&gt;Conclusão: quando o céu mete água, a terra fica seca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112786039208395255?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112786039208395255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112786039208395255' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112786039208395255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112786039208395255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/filosofia-do-bebedouro.html' title='Filosofia do bebedouro'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112784417023643856</id><published>2005-09-27T18:46:00.000+01:00</published><updated>2005-09-27T19:02:50.243+01:00</updated><title type='text'>Diário de Afonsina</title><content type='html'>Saí de dentro do bebedouro para ir ao café dos bois beber uma tisana de erva. Não é bom para a minha cabeça tomar banho com o Marquês; e quando ele começa com o seu discurso sobre a República, sinto um calor democrático subir-me pelas veias até me pôr o coração aos saltos. «Estás alegre?» pergunta-me. «São ares», digo-lhe. E corro para o meio dos bois, que andam de focinhos às avessas uns com os outros desde que girondinos e jacobinos disputam o poder. «Será possível que uma vaca sustente a República?» pergunta-me o Marquês. E digo-lhe que já nem uma vaca aguenta esta situação, a não ser que dê largas à sua loucura. Havia de resto um grupo de vacas de que eu fazia parte que tinha feito uma aposta: a primeira a quem fosse pedido apoio para uma das listas pendurava em cada chifre uma bandeira dos lados opostos, e começava a marrar em tudo o que lhe aparecesse pela frente. Assim, teria garantida a sua isenção, dado que, marrada à direita, marrada à esquerda, todos apanhavam, e nenhum saberia de onde vinha a marrada, se do partido quadrado se do quadrado partido. Quando lhe contei isto o Marquês coçou a cabeça: «Estarei a ficar louco?»&lt;br /&gt;- Só se me comeste, disse-lhe.&lt;br /&gt;Ele voltou a coçar a cabeça.&lt;br /&gt;- Vou pensar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112784417023643856?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112784417023643856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112784417023643856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/dirio-de-afonsina.html' title='Diário de Afonsina'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112766604376517680</id><published>2005-09-25T17:07:00.000+01:00</published><updated>2005-09-25T17:37:52.536+01:00</updated><title type='text'>Europa</title><content type='html'>Caro Giacomo&lt;br /&gt;Já tinha compreendido a tua subtileza; e por isso te deixo nas mãos essa Corina, para que prossigas o teu laborioso trabalho de conquista da praça cujos portões só se deixam abrir pelo engenho do verbo. Verás, no entanto, que as suas avenidas se percorrem depressa; e em breve desejarás encontrar uma saída, para que o tédio da sua arquitectura não te entorpeça o espírito.&lt;br /&gt;Prefiro os encantos de Josefina, cuja história acabo de conhecer. Como sabes, estávamos os dois no bebedouro, de água negra pelos limos e pelas folhas podres do Outono; e depois de nos divertirmos, atirando à cabeça um do outro as rãs e os girinos que habitavam tão espesso lago, a vaca saiu de dentro de água convertida em esbelta jovem, que se me dirigiu deste modo:&lt;br /&gt;- Queres saber o meu nome? Todas as minhas companheiras me conhecem por Afonsina; mas o meu apelido é Europa. Como sabes, fui raptada por Júpiter que, para me conquistar, se teve de transformar em touro, para que eu lhe saltasse para cima e ele começasse a correr, até ao lugar deserto em que pretendia consumar os seus lúbricos desígnios. Para o evitar, pedi a ajuda de Juno, que me transformou numa vaca, à vista da qual o touro perdeu todo o ímpeto, deixando-me a pastar no prado onde fiquei até ao dia em que te vi chegar, e logo me apaixonei por ti, cumprindo-se a promessa de Juno de que, logo que eu vencesse a repugnância do sexo oposto que Júpiter me provocara, voltaria à minha primitiva condição.&lt;br /&gt;Olhei com atenção para Afonsina: e de facto todo o seu corpo era um mapa. Os pés eram Portugal, que se enterrava na lama e no esterco que rodeavam o bebedouro; seguia-se a Espanha, que lhe subia pelas pernas, até chegar a essa doce França, em que todos queremos entrar, apoiando-nos nas coxas que são a Inglaterra e a Itália; os fartos seios eram a Alemanha, ; e deixo-te adivinhar o resto do mapa, para não te facilitar a viagem, caso também tu queiras visitar esta Europa que (não demorei muito a perceber) se abria a todo o mundo, sem estabelecer diferenças de raça, sexo ou religião.&lt;br /&gt;Quando acabámos, e ela me empurrou para trás, senti-me o mais casto dos europeus ao vê-la transformar-se, de novo, numa vaca:&lt;br /&gt;- A velha Europa não pode deixar de ser uma vaca, onde todos os povos vêm tirar o seu leite, ajudados pelo leiteiro de Bruxelas que dá as instruções para que cada qual possa mamar equitativamente.&lt;br /&gt;Neste momento, as minhas últimas ilusões dissiparam-se: Afonsina estava completamente louca!&lt;br /&gt;Saúde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112766604376517680?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112766604376517680/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112766604376517680' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112766604376517680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112766604376517680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/europa.html' title='Europa'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112764253460790681</id><published>2005-09-25T10:41:00.000+01:00</published><updated>2005-09-25T11:14:12.666+01:00</updated><title type='text'>Quarto</title><content type='html'>Querido Marquês&lt;br /&gt;O que dizes de Corina não me preocupa; preocupa-me apenas a tua cegueira. Se ela mantém o quarto fechado, a razão é simples: é que, se abrisse os cortinados da janela quando tu estás com ela no quarto, revelaria a minha presença. É verdade: tenho estado sempre escondido nessas tardes em que tu a tentas doutrinar com as tuas teorias, apenas porque me aborrece rebater-te nessas longas e entediantes discussões em que nunca chegamos a qualquer conclusão. Não te voltarei a contradizer com as minhas ideias sobre a arte de prolongar o cerco, demorando o uso de meios radicais, como a escada ou a investida, o alçapão ou o fosso, o aríete ou o cavalo de Tróia, para vencer a bela presa; pelo contrário, é no envolvimento, na persuasão e no canto de sereia que a conquista nos dá o seu mais doce encanto, ao contrário da tua ideia bárbara que Stendhal resumiu em duas palavras: «Diz amo-te e salta para cima da mulher.» Bem ouço os teus argumentos, quando bocejas sobre Corina os teus louvores ao incesto; e não deixo nunca de tomar nota das suas respostas, dizendo-te que se Paris vale bem uma missa, qualquer um pode fazer de padre. E vejo a tua cara de perplexidade, começando a dizer que a bondade é uma fraqueza, e tentando empurrá-la para o leito; e como ela te explica que te considera seu irmão, obrigando-te a recuar nessa prática que viola os teus princípios de que só uma vítima, e não um acólito, te poderá dar o prazer que desejas.&lt;br /&gt;Saúde&lt;br /&gt;Giacomo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112764253460790681?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112764253460790681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112764253460790681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/quarto.html' title='Quarto'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112757850833961700</id><published>2005-09-24T16:55:00.000+01:00</published><updated>2005-09-25T10:32:35.936+01:00</updated><title type='text'>Banho</title><content type='html'>Caro Giacomo&lt;br /&gt;O outono é quente em Santander. Por isso tive de sair do meu quarto no Hotel Ignacia, e atravessei a cidade até chegar ao campo, onde podemos sentir o ar fresco do mar, que nos alivia do cheiro a mofo que estes quartos de hotel têm, sobretudo quando Corina insiste em que eu não abra a janela, para que não a vejam da rua. A pobre jovem insiste em dizer que eu lhe provoquei uma pulsão semântica, o que significa que, de cada vez que ela aparece em frente de pessoas, todo o seu corpo manifesta o seu amor por mim. Tentei explicar-lhe que esse sentimento não existe, e li-lhe algumas páginas da minha «Filosofia na alcova» para a convencer da minha asserção; mas ela insiste em falar de sentimentos de forma tão enfadonha que acabo por bocejar horas seguidas, de tal modo que chego a duvidar que ainda exista dentro de mim algum ar. Ela, mais prática, chegou a desabafar que ia montar uma ventoinha eólica em frente da minha boca para produzir energia para o seu espírito; mas esta ideia fez-me rir, e consolei-a do modo que sabes, para não ter de a ouvir mais.&lt;br /&gt;Dizia-te que fui até ao campo para apanhar esse ar que me falta dentro do quarto; e qual não foi o meu espanto quando encontrei aquela vaca que tu conheces, a Afonsina, completamente louca! Insistia comigo em que saltasse para dentro do bebedouro onde ela se banhava, no meio de folhas mortas, de limos e de moscas; e acabei por lhe fazer a vontade, porque não faço ideia como dizer que não a uma vaca louca. E não é que, no meio do nosso banho, descobri que já conhecia de há muito esta Afonsina? Tinha sido em Veneza, quando andei a correr todos os telhados atrás de Marinella; e num terraço, ao abrigo de olhares indiscretos, Afonsina apanhava o sol do Veneto para se proteger, disse-me ela, da luz venérea dos salões. Conversámos longamente sobre o assunto, até que ela se despediu com um «addio» inquieto quando ouviu ruído nas escadas; e mal tive tempo de ver o talhante que a vinha buscar, com a sua faca bem afiada, antes de prosseguir o meu rumo aéreo. Deu-me prazer este encontro, porque me fez compreender a sua arte em escapar às investidas dos magarefes, gritando-lhes que é louca. No nosso banho, porém, comportou-se com toda a razão do mundo; e pude voltar mais fresco para o quarto do hotel, onde Corina tentava estabilizar o seu sujeito dividido entre a expressão e a censura.&lt;br /&gt;Saúde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112757850833961700?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112757850833961700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112757850833961700' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112757850833961700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112757850833961700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/banho.html' title='Banho'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112757060587425482</id><published>2005-09-24T14:45:00.000+01:00</published><updated>2005-09-24T15:06:56.056+01:00</updated><title type='text'>Bebedouro</title><content type='html'>Uma das vacas, chamada Afonsina, tinha sido comprada a um comerciante de gado na feira da agricultura. Tinha os olhos pretos, e deitava-se na palha do estábulo com um suspiro de satisfação, como se o seu destino fosse dormir. Preferia um pouco menos de sensibilidade numa vaca; e ao percorrer o seu pêlo macio com a mão, tinha alguns remorsos ao dar comigo a pensar nos bifes que me iriam deliciar quando Afonsina, cortada às postas pelo talhante, fosse metida no meu prato. Foi então que ela me disse:&lt;br /&gt;- Sabes que sou louca?&lt;br /&gt;Dei-me conta, ao ver o modo como todo o seu corpo se transformava numa vítima das minhas carícias, de que a sua disposição mudara, e o sono se convertia numa fogosa paixão que me fez lamentar não ser um touro. Mas o problema agora era outro: deveria eu denunciar a sua loucura? Tal obrigaria as autoridades a matar a manada, privando a cidade de todas aquelas vacas. A solução que encontrei foi telefonar a um amigo, psiquiatra, para a tratar, restituindo-a à normalidade.&lt;br /&gt;- Estás louco, disse-me ele, como queres que eu ponha uma vaca a falar?&lt;br /&gt;- Não precisa de falar. Basta que muja!&lt;br /&gt;Calei o psiquiatra com esta conjugação verbal. E a própria Afonsina começou a rir, levantando-se das palhas, e puxando-me pela mão até ao prado verdejante onde todas as vacas se tinham transformado em jovens esbeltas que se banhavam nos bebedouros, enquanto os bois marravam contra os troncos da vedação para extinguir o lume da sua lubricidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112757060587425482?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112757060587425482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112757060587425482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/bebedouro.html' title='Bebedouro'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112729991922568730</id><published>2005-09-21T11:35:00.000+01:00</published><updated>2005-09-21T16:55:18.603+01:00</updated><title type='text'>Largada bovina</title><content type='html'>Corina&lt;br /&gt;Estás dividida entre as vacas magras e os bois gordos; e compreendo a tua dificuldade em escolher. O que concluí da tua carta, porém, é que o Marquês está no teu corredor - nem sei mesmo se no teu quarto, forrado ao papel vermelho em que ele bate com a testa; enquanto que Giacomo é o porta-voz dos bois, nas negociações que eles travam com as vacas para as fazer sair do estábulo. Estás à beira de um precipício cósmico, de que o Marquês e Giacomo são os guardiões; e se fosse a ti agarrava-me a eles, para não que não tenham de te ir buscar às profundezas. O que te aconselho, no entanto, é simples: pega num pouco de cera e tapa os ouvidos, para não voltares a ouvir o mugido das vacas. Se passares muitas noites com esse ruído a atormentar-te, ficarás anoréxica; e sabes como os bois são sensíveis a essas frágeis criaturas que passam por entre eles, como fios etéreos; e será ainda pior se tiveres um vestido vermelho, porque então toda a manada investirá contra ele, obrigando-te a correres pelo campo à sua frente até chegares ao bosque, onde terás de subir a uma árvore para que os seus chifres não te trespassem. De nada servirá o cajado de Giacomo, que não poderá fazer outra coisa senão correr atrás dos animais, sem ver nada, porque hão-de levantar um pó que esconderá tudo o que se passa na sua frente.&lt;br /&gt;Claro que, para que isso aconteça, vais ter de sair do Hotel Ignazia. Não é difícil: manda o Marquês à frente; e enquanto os outros hóspedes o insultam, obrigando-o a bater com o punho nas caras que têm o indicador à frente dos lábios a pedir silêncio, esborrachando-lhes o nariz contra os dedos, passarás levemente por entre a confusão, descerás a escada, terás de ignorar as imprecações bascas do recepcionista, e meter-te-ás pelas ruas de Santander, perguntando onde fica o mar. Ninguém há-de perceber o que lhes dizes; mas seguirás sempre em frente até chegares ao grande relvado que cobre todo o vale. Não te esqueças de levantar bem alto o teu lenço vermelho; e será então que os bois se soltarão da sua obsessão pelas vacas, e te hão-de perseguir até à árvore. Quando tudo acalmar, estarás a dormir; será noite; e nenhum ruído te perturbará o sono, nem o ressonar de Giacomo que, agarrado ao cajado, te protegerá até que a manhã te acorde.&lt;br /&gt;Boa noite&lt;br /&gt;Filis&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112729991922568730?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112729991922568730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112729991922568730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/largada-bovina.html' title='Largada bovina'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112724807114586682</id><published>2005-09-20T21:10:00.000+01:00</published><updated>2005-09-20T23:55:14.650+01:00</updated><title type='text'>Vacas</title><content type='html'>Querida Filis&lt;br /&gt;Estou desde há dois dias no Gran Hotel Ignacia de Santander, com janela para o campo, e tenho ouvido toda a noite as vacas bascas mugindo, para que lhes abram a cerca e as deixem ir para o pasto. Com estas insónias provocadas pela fome das vacas, tenho tido tempo para conversar com o Marquês, que veio comigo, ouvindo as suas teorias sobre a impossibilidade de soltar as vacas, dados os prejuízos morais que isso iria provocar na população de bois que se distribui pelos campos à volta de Santander. Não sei de onde vem a sua simpatia pelos bois, e muito menos pela sua sã moral; pelo contrário, ao ver as suas testas, percebo que passem a vida a marrar no chão, sobretudo quando este apresenta pedaços de terra vermelha por entre o verde da erva. O que é surpreendente, no entanto, é que o próprio Giacomo tem reacções inesperadas; e fui dar com ele, quando lhe falei na tristeza dos bois, a bater com a cabeça no papel vermelho que forra a parede do meu quarto. O problema de estar em Santander é que não se sabe como sair daqui. Ainda por cima, não nos deixam fazer barulho nos corredores do hotel; e quando quero sair, há sempre uma porta que se abre e uma cabeça que sai com o dedo na boca, a mandar-me calar, e a fazer-me voltar para trás. Vou até à janela; mas o nevoeiro basco só se dissipa uns minutos, entre o meio dia e a uma da tarde, que é quando consigo ver as vacas a empurrarem-se contra a porta do estábulo, e a mugir para que as deixem sair. Do lado de fora, os bois também se juntam, à espera que elas saiam; e entre os bois e as vacas está Giacomo, com um cajado de pastor, a tentar pôr ordem na classe bovina. Já telefonei para a recepção para lhes explicar que isto não é vida; mas respondem-me em basco, e não sei o que hei-de fazer.&lt;br /&gt;Saúde&lt;br /&gt;Corina&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112724807114586682?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112724807114586682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112724807114586682' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112724807114586682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112724807114586682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/vacas.html' title='Vacas'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112713430746990842</id><published>2005-09-19T13:45:00.000+01:00</published><updated>2005-09-19T13:51:47.476+01:00</updated><title type='text'>O poço da morte</title><content type='html'>«Temos aqui um problema», disse o homem.&lt;br /&gt;«O problema é você», disse o outro homem.&lt;br /&gt;«Mas eu falei no plural», voltou a dizer o primeiro.&lt;br /&gt;«Está a dizer que o problema somos nós?», disse o segundo homem. E atirou-se ao poço.&lt;br /&gt;«Já não tenho nenhum problema», concluiu o primeiro homem.&lt;br /&gt;«O meu único problema era haver aqui um poço», disse o segundo homem do fundo do poço.&lt;br /&gt;«Pois agora tenho um poço de problemas», disse o primeiro homem, enquanto o eco amplificava o borbulhar do segundo homem a afundar-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112713430746990842?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112713430746990842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112713430746990842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/o-poo-da-morte.html' title='O poço da morte'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112665283540775459</id><published>2005-09-14T00:00:00.000+01:00</published><updated>2005-09-14T10:14:03.786+01:00</updated><title type='text'>Descubra as diferenças</title><content type='html'>Resta apenas resolver um problema. Terá sido Danton o percursor da lobotomia? Como é evidente, a lâmina de guilhotina não se parece com o bisturi do cirurgião; mas a ideia do corte da cabeça, em parte ou no todo, para resolver uma questão de comportamento social, torna as duas técnicas análogas, do ponto de vista prático. Há diferenças: o guilhotinado não anda e o lobotomizado sim; mas há semelhanças: o guilhotinado não fala, e o lobotomizado também tem tendência a ficar calado. Se sentarmos à mesma mesa um guilhotinado e um lobotomizado, a conversa não passará de «hum!», «hum!», «hum hum!», «hum...», resultante de um desencontro de opiniões, uma vez que o guilhotinado costuma ser muito mais afirmativo do que um lobotomizado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112665283540775459?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112665283540775459/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112665283540775459' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112665283540775459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112665283540775459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/descubra-as-diferenas.html' title='Descubra as diferenças'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112652473879641347</id><published>2005-09-12T12:24:00.000+01:00</published><updated>2005-09-14T00:10:54.960+01:00</updated><title type='text'>Pescas</title><content type='html'>Abrindo as televisões, o panorama alterar-se-á consideravelmente. Nas grandes entrevistas, o comentário habitual deixará de ser «que grande cabeça» mas «que grande falta de cabeça!» Quanto aos que arranjaram cabeças de substituição, pondo sobre o pescoço as cabeças de peixe roubadas nos restaurantes, ou mesmo no cais, à saída das lotas, irão merecer opiniões do tipo: «Boca de charro», «olhos de goraz», «toma lá o anzol!», «não te escames», «nasceste para nadar», etc., etc. Alguns, porém, que eram já chamados «peixes de águas profundas», vão perder a sua originalidade, e serão os únicos a sentirem-se incomodados com esta banalização piscícola. Serão possivelmente os únicos a andarem por aí à procura de uma boa cabeça, para passarem de peixe-espadas a pargos legítimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112652473879641347?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112652473879641347/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112652473879641347' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112652473879641347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112652473879641347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/pescas.html' title='Pescas'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112646235670188269</id><published>2005-09-11T18:59:00.000+01:00</published><updated>2005-09-12T12:24:03.820+01:00</updated><title type='text'>Largada de cabeças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Andando país fora, passaríamos a ver muito mais gente de cabeça perdida do que toda essa que, em condições normais, já vamos encontrando. Nos carros com motorista da Câmara, ou do Estado, teremos criaturas sem cabeça, a apalpar o pescoço e a tentar ver se, no espaço vazio sobre ele, existe alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Frases como: «Onde é que eu pus a cabeça?» ou «Que fiz eu à minha cabeça?» ou ainda «Que cabeça esta!» vão passar a fazer parte do quotidiano mas, desta vez, usadas num sentido próprio, e não apenas figurado. Por outro lado, veremos uns malandros a gozar com a malta quando, mostrando a cabeça no devido lugar, vão dizendo: «E eu, que nunca tive cabeça para nada, sou o único a ter a cabeça no lugar!»&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Insultos como «cabeça de vaca» passarão a ser banidos do vocabulário, dado que muita gente passará a dizer: «prefiro uma cabeça de vaca a andar sem cabeça»; e será corrente ver os que são acusados de cabeça de vaca a fugir à frente dos decapitados que os procuram agarrar pelos cornos, como se estivessem num dia de largada de touros em Pamplona. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outros, pelo contrário, resignar-se-ão à sua sorte, dizendo com voz de choro: «Quem me dera ter uma cabeça de prego!» &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos restaurantes, a refeição mais cara vai passar a ser cabeça de peixe, que terá de ser posto no seguro porque muitos hão-de tentar sair com a dita debaixo do braço, para a porem em cima do pescoço, porque mais vale uma cabeça de peixe nos ombros do que no prato. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim, a cabeça será cotada na bolsa, e quantas mais caírem, mais hão-de subir as acções.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112646235670188269?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112646235670188269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112646235670188269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/largada-de-cabeas.html' title='Largada de cabeças'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112645648751779663</id><published>2005-09-11T17:26:00.000+01:00</published><updated>2005-09-11T17:35:59.340+01:00</updated><title type='text'>Cartazes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Assim, ao ver tantas cabeças, país fora, em cartazes de propaganda política, fiz minha a filosofia do Danton: não seria muito melhor se, em vez das fotografias, estivessem as cabeças autênticas, devidamente cortadas e envernizadas para que o sol as não queimasse? A escolha seria muito mais fácil; e também se aplicaria com muito mais propriedade a frase - «a cada cabeça sua sentença».&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O pior é que começaria a aparecer uma nova profissão: os ladrões de cabeças. E quando parássemos o carro num semáforo, lá teríamos pela frente o vigarista, com um saco de plástico na mão a esconder a cabeça: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quer esta? Vendo-a pelo preço da chuva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olhe que não, já tenho uma cabeça em cima dos ombros.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas fica com uma suplente. Assim, quando lhe doer a cabeça, é só substituí-la.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E se me confundem por causa da outra cabeça? Se me vêm pedir autógrafos? Ou pedir contas por causa da política?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não há problema: é só tirar a cabeça de recarga, e meter de novo a sua cabeça. Volta tudo ao mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que vale é que o sinal voltou ao verde, e não deu tempo a contar o dinheiro para comprar a cabeça ao vendedor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112645648751779663?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112645648751779663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112645648751779663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/cartazes.html' title='Cartazes'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112637169106221752</id><published>2005-09-10T17:53:00.000+01:00</published><updated>2005-09-10T18:10:19.703+01:00</updated><title type='text'>Antropologia militar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os índios também tinham razão: o escalpe permitia ter a parte mais importante da cabeça. Com o diâmetro na mão, avaliavam a qualidade de pensamento do seu antigo possuidor; e se pusessem o escalpe sobre os seus cabelos, havia uma soma de pensamento ao pensamento. Com esse pensamento duplicado, o índio transformava-se num sinal de fumo, e subia pelo ar acima até dar a ver ao mundo a sua filosofia.&lt;br /&gt;Infelizmente, isto não era possível com os carecas. De acordo com esta concepção antropológica dos índios, os carecas não tinham pensamento. As ideias andavam à volta da careca, à procura de cabelos a que se pudessem agarrar; e como não os encontravam, lá iam elas a voar até encontrarem uma cabeça mais fornecida.&lt;br /&gt;É por esta razão que o exército americano, depois da derrota do cabeludo general Custer, passou a rapar a cabeça aos seus soldados: deste modo, evitou os escalpes; o inconveniente é que os soldados ficaram sem pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112637169106221752?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112637169106221752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112637169106221752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/antropologia-militar.html' title='Antropologia militar'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112635759176154451</id><published>2005-09-10T13:44:00.000+01:00</published><updated>2005-09-10T17:52:56.063+01:00</updated><title type='text'>Aviso</title><content type='html'>Na verdade vos digo: se em cada cabeça sua sentença, não nos percamos e sem detença tiremos de dentro delas o que pode ser salvo. Metendo um gancho pelo ouvido, puxem-se as frases que merecem ficar para a História; e enrolem-se aos cabelos, para que nenhuma palavra caia para o chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112635759176154451?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112635759176154451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112635759176154451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/aviso.html' title='Aviso'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112635450557310290</id><published>2005-09-10T13:10:00.000+01:00</published><updated>2005-09-10T18:08:51.613+01:00</updated><title type='text'>Fim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando o Danton disse ao carrasco «podes mostrar a minha cabeça ao povo, ela merece-o», deu um excelente exemplo a muitos políticos, que deveriam reflectir nesta frase. Com efeito, não é todos os dias que nos podem mostrar a cabeça à multidão; e se houver alguém disposto a agarrá-la pelos cabelos, e a levantá-la bem alto, para que mil bocas ululantes se calem, emudecidas pelo espectáculo da boca de onde não voltarão a sair quaisquer inanidades, dos olhos que já só avistam um vislumbre de eternidade, e dos ouvidos que estão definitivamente tapados para as críticas do mundo, tanto melhor!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112635450557310290?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112635450557310290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112635450557310290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/fim.html' title='Fim'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112560967338731976</id><published>2005-09-01T21:47:00.000+01:00</published><updated>2005-09-01T22:25:20.050+01:00</updated><title type='text'>Bóias</title><content type='html'>Querida Fílis&lt;br /&gt;Vou-te contar o que me aconteceu quando estava na praia, ouvindo as emissões da Rádio Pyong-Yang pelos meus headphones roubados num avião da «Aero Republica» da Nicarágua. No meio de um debate sobre a necessidade de repartir as mais valias do Capital pelos deserdados de África, saem-me de dentro de água dois cavalheiros, com ar distinto apesar das olheiras e da pele roxa de terem estado várias horas submersos. Deitaram-se de costas na praia, mas como não é a primeira vez que isto me sucede - pseudo-afogados à espera que lhes faça respiração boca-a-boca - puxei da minha bóia, tirei-lhe o fecho e, alternadamente, esvaziei-a na boca ora de um ora de outro, sabendo que o que lhes estava a meter para dentro foi o oxigénio que lhe insuflara, quando a enchi.&lt;br /&gt;Tanto bastou para que os cavalheiros se levantassem e me começassem a falar, ignorando que não os podia ouvir porque, quando estou aouvir um debate filosófico na Rádio Pyong-Yang, não consigo parar sem que a discussão chegue ao fim. Só percebi, quando o camarada Huyn-Saké defendia a excisão do lucro bolsista na bolsa de Tóquio, e um dos cavalheiros me envolvia com os seus braços, que o seu objectivo não era a mera sobrevivência física, mas sim conquistar o seu direito à reprodução da espécie à custa do meu hímen. Como a assistência no Palácio do Povo não cessava de bater palmas, uma vez que o economista Tchin-Praká citara o amado nome do Grande Líder Tchan-Pralá, pude interromper a audição e dizer ao cavalheiro, que depois soube chamar-se Giacomo:&lt;br /&gt;- Senhor, sabeis sem dúvida que o ar que vos enche os pulmões foi aquele que eu insuflei nos vossos lábios pela minha bóia; mas não preciso que procureis devolver-mo, com essa insistência com que a vossa boca procura a minha.&lt;br /&gt;Logo o Marquês, que era a outra criatura que dera á praia, se levantou e disse com ar furibundo ao companheiro:&lt;br /&gt;- Aí está no que deu a generosidade desta Senhora: esvaziais-vos, como um balão, e deitais fora todo o ar precioso que ela vos ofereceu!&lt;br /&gt;Giacomo compôs a sua figura, logo readquirindo a sua elegância; e começou a falar, dirigindo-se às nuvens:&lt;br /&gt;- Vós, companheiras, nunca o vosso apoio me faltou quando precisei dele. Chuva, quando estava seco; e neblina, quando alguns cônjuges inquietos me demandavam em busca de reparação para os seus adornos curvilíneos. Também agora vos peço que, batendo umas contra as outras, com estrondosos trovões, me envieis um raio que parta este meu colega de infortúnio, que pretende transformar-se em censor de todas as acções de que, ele próprio, é o primeiro praticante.&lt;br /&gt;Felizmente, minha amiga, as nuvens ficaram mansas como cordeirinhos, os homens encontraram a paz de um sono que os deitou por terra, e pude repôr os headphones para ouvir o hino final.&lt;br /&gt;Saúde&lt;br /&gt;Corina&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112560967338731976?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112560967338731976/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112560967338731976' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112560967338731976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112560967338731976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/09/bias.html' title='Bóias'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112551912260147672</id><published>2005-08-31T21:02:00.000+01:00</published><updated>2005-08-31T21:12:02.613+01:00</updated><title type='text'>Candidatos</title><content type='html'>Enquanto Giacomo se entretinha com Corina, o Marquês pôs-se a pensar: e se me candidatasse a Doge da República? A verdade é que a República se afundava; que a água enchia a praça até meio, obrigando os cidadãos a descalçarem-se para pôr o pé na rua; mas, por outro lado, se a cidade não metesse água, eles teriam de andar descalços de qualquer modo,porque a crise tinha gerado uma sociedade de pés descalços, a ponto que a moda consistia em pintar os pés com cores vivas, como se todos andassem com sapatos vermelhos, amarelos, roxos, verdes, etc. «A minha palavra de ordem, pensou: um par de sapatos para cada cidadão!» Todos os debates seriam à sapatada; e cada sapato serviria ao seu pé. A Constituição seria votada segundo o modelo da Cinderela: a cada voto o seu sapato, e só se o sapato servisse ao votante é que este poderia pôr o voto.&lt;br /&gt;- Não há filosofia como a minha, disse o Marquês a Giacomo.&lt;br /&gt;- De que estais a falar, Senhor? Também eu vou ser candidato.&lt;br /&gt;- Vós? E qual será o vosso programa?&lt;br /&gt;- Uma Corina para cada cidadão!&lt;br /&gt;O Marquês sentiu-se perdido. Mas ocorreu-lhe uma outra ideia:&lt;br /&gt;- E será que a Corina serve aos pés da República?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112551912260147672?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112551912260147672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112551912260147672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/candidatos.html' title='Candidatos'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112453840255869669</id><published>2005-08-20T12:36:00.000+01:00</published><updated>2005-08-20T18:11:24.913+01:00</updated><title type='text'>Descubra as diferenças</title><content type='html'>O meu convívio com o Marquês veio pôr a nu, não o corpo de Corina, porque este já se encontrava praticamente nesse estado, mas as nossas diferenças existenciais e doutrinárias. Vejamos:&lt;br /&gt;enquanto que, para o Marquês, Corina era um instrumento em que ele se ia deliciando aos acordes da Marselhesa, que tamborilava com a mão direita nas suas costas, enquanto a esquerda lhe ensinava a grande doutrina da alcova ocidental, para mim ela era uma orquestra, que eu fazia mover ao ritmo das Quatro estações do meu grande amigo Vivaldi. Comecei pelo Inverno, na fase em que comecei a fingir que tremia, fazendo com que ela me aquecesse. A sua dedicação à causa da minha cura em breve produziu o degelo que me fez suar copiosamente, enchendo as suas mãos de gotas que a ajudaram a descobrir um novo estuário para a grande cheia do amor; e daí à Primavera foi um pequeno passo, o que transformou o seu corpo num jardim em que fui cultivando com toda a arte cada canteiro, até a ver florir por inteiro. Pudemos, assim ,gozar o Verão que os nossos braços ajudaram a fazer sair de dentro da natureza, apreciando cada pedaço de paisagem que Corina ia comentando com o seu talento minucioso na descrição. Finalmente, depois de passados todos estes andamentos, chegámos ao Outono, em que ficámos cobertos com um manto quente de folhas que nos fez passar a noite com o maior conforto, como se estivéssemos no mais rico quarto de um hotel florentino.&lt;br /&gt;Não sei quanto tempo durou este Outono, em que ambos passeámos num vagar sonâmbulo. Terá passado uma, duas, infinitas noites, sem que déssemos pela manhã; e chego a pôr em dúvida que essa manhã alguma vez ainda chegasse. Para quem não o conhece, posso dizer que é assim o amor: uma única noite, como digo, sob as folhas outonais, pode durar toda uma vida, se a imaginação nos ajuda a completar aquilo que nela faltou.&lt;br /&gt;Mas a realidade foi mais prosaica; e quando o criado nos bateu à porta do quarto, perguntando se queríamos o pequeno almoço que, de véspera, lhe encomendara, é que me dei conta de que estava a acaordar no meu hotel de Florença, para onde levara Corina quando ela me disse que os amigos que lhe tinham prometido um apartamento se tinham ido embora para férias, sem deixar qualquer indicação sobre o local a que ela se devia dirigir para recuperar a chave.&lt;br /&gt;- Ouve, minha querida, disse-lhe, estou neste hotel por empréstimo, mas o patrão faz questão em hospedar de forma generosa um convidado que só lhe traz prestígio - e visitantes. Não imaginas a sfilas que se fazem a esta porta, quer de senhoras que desejam ter o privilégio de pôr os olhos em mim (esperando que lhes retribua, pondo muito mais sobre elas), quer de fidalgos que esperam que eu lhes ensine como se poderão libertar da sua timidez, e obter o sucesso que premeia os bons combatentes no final da batalha. A verdade, porém, é que me cansei deste tributo; e desde há uns meses pago a um meu sósia para que se sente na recepção, e é aí que dou a ilusão, através desse efeito de óptica, em que a única condição que dei a esse bom cidadão é que se mantenha silencioso, de que atendo toda a gente. Como vês, a democracia tem estas absurdas exigências; e o amor ao povo obriga-nos a sacrifícios que temos de superar através destes truques. O mesmo sucede na política destes regimes, dado que aqueles que mandam, realmente, também não aparecem nunca ao vivo; e são aqueles a quem eles pagam que recebem o povo, e as suas exigências e recriminações. O problema, muitas vezes, é que esses  funcionários, a que damos o nome de políticos, não sabem estar calados; e como palavra puxa palavra, o hotel em que trabalham, chamado Parlamento, assiste a uma constante vozearia que passa para a rua, irritando os ouvidos da gente culta e honesta da nossa República.&lt;br /&gt;Corina ouviu o meu discurso como se assistisse a uma representação; e não deixou de me saudar, no fim, batendo infantilmente as palnas com as suas mãozinhas delicadas. É assim que as nossas teorias vão ganhando adeptos, e sentia-me feliz por ver que a convicção com que lhe falara limpara completamente do seu espírito as negras ideias do Marquês!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112453840255869669?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112453840255869669/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112453840255869669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112453840255869669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112453840255869669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/descubra-as-diferenas.html' title='Descubra as diferenças'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112445920315926282</id><published>2005-08-19T14:27:00.000+01:00</published><updated>2005-08-19T14:46:43.190+01:00</updated><title type='text'>Viva a República!</title><content type='html'>Enquanto o Marquês prosseguia a explicação das suas doutrinas filosóficas à jovem Corina, comecei a aborrecer-me. Então não era que o homem, confundindo a sua bela discípula com uma surda-muda, passara da explicação de viva voz a práticas gestuais em que as mãos faziam todo o trabalho que devia ser dado às palavras?&lt;br /&gt;- Senhor, disse-lhe, não vos quero aborrecer com as minhas críticas, mas será melhor fazê-las enquanto é tempo do que depois de terdes gasto todo o vosso latim com essa donzela. Não vedes que ela está de olhos fechados, e não consegue perceber o sentido do que exprimis através do vosso frenético movimento de mãos?&lt;br /&gt;- Será melhor, Giacomo, não me interromperes. Encontro-me agora na definição dos grandes princípios que devem reger a abertura da República aos povos, e Corina presta-se de todo o seu coração a fazer de ícone do nosso sistema.&lt;br /&gt;Com efeito, Corina, seguindo o exemplo do busto de Mariana, destapara os seus seios ao Sol, e dava ao mundo a imagem de total transparência a que devem obedecer as leis democráticas. Senti-me atingido nos meus princípios aristocráticos; e logo procurei libertá-la daquele domínio opressor seguindo as regras aprendidas na Comedia dell'arte, de que fui um extremado cultor.&lt;br /&gt;- Senhora, começo a ter frio; talvez as horas passadas no mar me tenham arrefecido o coração, e vede como tremo!&lt;br /&gt;E, pondo em prática os exercícios teatrais, já todo o meu corpo tremia que nem varas verdes. Logo Corina, cuja bondade natural despertou nela o desejo de me ajudar, esquecendo-se do que o Marquês lhe tentava ensinar, empurrou-o para o lado e veio abraçar-me. Não parei de tremer, para que o seu afecto se não perdesse, ao contrário do que sucede com certos amigos que, por muito que vejam tremer o seu companheiro, atiram o afecto para as urtigas quando o abraço da República os incita a subir para cima dos seios de Mariana, para poderem cravar nos seus generosos ombros os seus pés e, do alto da República, serem vistos de todo o Universo!&lt;br /&gt;- Vês como tremo, minha amada?, sussurrei-lhe para que o Marquês não ouvisse. Era este o momento que eu esperava, desde que me atirei à água, e Neptuno me conduziu com as suas correntes amigas até que pude ouvir o teu canto de sereia!&lt;br /&gt;Logo Corina começou a cantarolar ao meu ouvido, enquanto eu a puxava para trás dos arbustos, onde uma doce sombra nos reservava a sua intimidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112445920315926282?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112445920315926282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112445920315926282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/viva-repblica.html' title='Viva a República!'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112427167513098453</id><published>2005-08-17T10:24:00.000+01:00</published><updated>2005-08-17T10:51:54.836+01:00</updated><title type='text'>Desembarque</title><content type='html'>Querida Fílis&lt;br /&gt;estava eu de férias na praia, em frente a esse mar Adriático que, às oito da manhã, fulgura num esplêndido azul turquesa, quando vejo o que, ao longe, me pareciam duas bóias, serem empurrados para a costa pela corrente. E não é que, ao chegarem mais perto, vejo as duas bóias nadarem? Eram dois homens, que logo se puseram em pé mal chegaram às rochas, e se dirigiram até mim, perguntando-me onde estavam. Não lhes respondi logo, ainda surpreendida por ver dois náufragos tão longe de qualquer sinal de embarcação afundada, quando um deles se apresentou:&lt;br /&gt;- Senhora, permiti que vos diga o meu nome: Donaciano Afonso, primo do libertino Dolmancé que muito me falou das vossas qualidades. E este meu amigo é o caro Giacomo, que também muito tem para vos dizer.&lt;br /&gt;Esta apresentação não me deixou dúvidas sobre a qualidade das pessoas presentes; e embora estivesse com uma reduzida túnica transparente, que me permitia apanhar o sol da manhã no corpo e tomar banho quando o calor começasse a subir, fiquei certa de que não iria sofrer qualquer insulto por parte daqueles dois cavalheiros. Logo o Marquês prosseguiu:&lt;br /&gt;- Estamos a chegar ao fim do Mundo, Senhora, e a nossa missão é salvar o que ainda houver para tal, se alguém nos quiser ouvir. Vedes este dia magnífico, o azul celeste que transporta a ilusão do divino, e sem dúvida, ao olhardes para o horizonte, que ainda está escondido por uma doce névoa, tereis o sonho de que o universo é esta paz infinita. Pura ilusão! É que, por trás do horizonte, encontram-se os Turcos, com as suas naus carregadas de infiéis que se preparam para lançar um último ataque às nossas pátrias; e por detrás deste azul, ou por cima dele, como queirais, os deuses afiam as suas balanças para o que será o Juízo derradeiro.&lt;br /&gt;pedi-lhe que não fosse tão pessimista; mas ele não se calou:&lt;br /&gt;- Só vos peço, Senhora, que não façais qualquer distinção entre o homem e o animal. Este, quando se vê reduzido ao extremo dos extremos, perde toda a passividade da sua natureza para se transformar no mais inclemente dos inimigos, desde que disso dependa a sua sobrevivência. Por isso, peço-vos que sigais o exemplo das plantas, que se deixam definhar no seu sítio, ficando por fim o seu tronco carregado de ramos secos como um monumento à permanência. Não dará qualquer sombra que nos reconforte; mas dar-nos-á o pretexto para longas meditações, de onde poderão sair as maiores filosofias do Ocidente!&lt;br /&gt;Confesso-te, querida Fílis, que nem me apercebi, ao som inebriante das suas palavras, de que a sua mão já se confundia com a fluida carícia da minha túnica, e os seus dedos na minha pele acendiam o eco de uma brisa lânguida que, em certas partes, se convertiam em fogosos turbilhões que me transportavam para cima do Céu de que ele me falara. Como é evidente, poupo-te a descrição das suas conclusões, que a minha cabeça já não conseguiu fixar.&lt;br /&gt;Corina&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112427167513098453?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112427167513098453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112427167513098453' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112427167513098453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112427167513098453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/desembarque.html' title='Desembarque'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112418896166718625</id><published>2005-08-16T11:24:00.000+01:00</published><updated>2005-08-16T11:42:41.680+01:00</updated><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>Ao fim de três dias de cárcere com Giacomo, as coisas entraram no seu ritmo. Contei-lhe o que passei quando estive na Bastilha, e tive de escrever os «120 dias de Sodoma» com uma tinta feita a partir do líquido de esgoto que corria pelas pedras. De facto, trata-se de uma tinta indelével, e foi graças a isso que o manuscrito se conservou para que os meus descendentes nele pudessem aprender algumas instruções úteis para o seu comportamento social. Giacomo nunca teve esses problemas. Os carcereiros sempre o respeitaram, dando-lhe papel e tinta para ele escrever as suas «Memórias». Soube depois que isso se devia ao desejo que os deslumbrados maridos de Flo rença e Veneza tinham de que as suas castas esposas passassem à imortalidade, e com isso o seu anónimo apelido  ficasse na História, mesmo que o pretexto testífero não lhes fosse agradável.&lt;br /&gt;A comida é que era o pior. Casanova frequentara os melhores restaurantes da Europa, e o menu prisional não era, sem dúvida, adequado à exigência do seu paladar. Mas também aí ele ganhara alguns privilégios, que advinham de um convívio que tivera com a bela mulher do Governador da prisão, e que ele lhe retribuía agora oferecendo-lhe quilos de esparguete, que Giacomo aproveitava para confeccionar deliciosas receitas. Ainda me lembro de um esparguete de pele de rato, que chupávamos com deleite; e outro de patinhas de barata, cujo odor só de lembrá-lo me traz água à boca! Claro que isto também servia para nos ocuparmos: de cócoras, à caça desses pequenos roedores que frequentavam os buracos do nosso covil; ou então amarinhando pelas paredes atrás desses insectos trepadores, destinados a acabarem a sua triste vida na nossa caçarola.&lt;br /&gt;A cabeça de Giacomo, porém, não se esgotava nestes afazeres domésticos; e, a pretexto da caça aos ratos, descobriu que podia ir alargando um dos seus buracos, por onde vinha um fio de ar exterior. «Isto vai dar a uma saída», confessou-me. E, de hora a hora, dedicava-se a alargá-lo, até ao ponto em que o seu corpo já cabia dentro de um largo túnel de onde vinha, mais do que um fio, toda uma corrente d ear húmido.&lt;br /&gt;- Já sei, marquês, onde isto nos vai levar!&lt;br /&gt;E não é que a sua intuição estava certa? meses após o início da escavação, e depois de inúmeras pratadas de esparguete de pele de ratos capturados ao longo dos trabalhos, empurrámos a última pedra, para nos vermos na base da muralha da prisão, sobre a água de um dos mais largos canais de Veneza.&lt;br /&gt;Logo nos lançámos, mais do que a nadar, a boiar, porque devo confessar que as refeições de esparguete, somadas à imobilidade forçada do cárcere, nos tinham  triplicado o peso, e podíamos flutuar como grandes bóias de aviso á navegação. Foi isso, de resto, que nos salvou, porque embora fosse dia, e a luz nos pudesse denunciar, fomo-nos confundindo com essas bóias, até chegarmos à longínqua costa do Adriático.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112418896166718625?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112418896166718625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112418896166718625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112418896166718625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112418896166718625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/fuga_16.html' title='Fuga'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112395501356344649</id><published>2005-08-13T18:19:00.000+01:00</published><updated>2005-08-13T18:43:33.570+01:00</updated><title type='text'>Conversa de prisão</title><content type='html'>Pelo corredor, em frente do nosso postigo, passou a escolta, levando um outro preso. A luz da tocha entrou por uma fresta da madeira e iluminou de frente o rosto de Casanova - e só então compreendi como fora ingénuo, desde o início: Casanova e Giacomo eram uma e a mesma pessoa, só me conseguindo iludir devido ao trajo humilde que envergara, quando ao meu serviço, e por uma cabeleira de estopa que lhe dava o ar de um pobre rústico. Ao ver-se descoberto, Giacomo desatou-se a rir:&lt;br /&gt;- Sim, caro marquês, fui eu que preparei tudo para que caísses na esparrela de Marinella, tal como em qualquer prima cai a minha rima, se ela se põe a preceito para me fazer o jeito!&lt;br /&gt;Era ele, sem dúvida; e a desfaçatez do seu propósito não deixou de me incomodar, dado que me lembrei de como, ignorante da sua verdadeira identidade,  pusera nas suas mãos, para a levar ao colégio, a minha prima Liana, que desde esse dia como que remoçou, ganhando um primor de fruta madura no mercado do Lido.&lt;br /&gt;- Depois do que passei, perdoo-te todas as afrontas; mas queria que me explicasses a razão desta cilada.&lt;br /&gt;É simples, explicou ele. Cansado de ver os lares venezianos desfeitos, um a um, pela passagem do nosso Casanova, Deus resolveu pôr fim à brincadeira, enviando-lhe uma das suas santas virgens para o converter. O resultado, como não podia deixar de ser, foi o oposto; e quando a santa deixou de o ser, porque em matéria de virgindade nem é bom falar, a punição alargou-se a ela, tendo sido convertida numa gata. Trata-se, como já adivinhastes, da própria Marinella; e ao ver o resultado desta incumbência, em que o feitiço se voltou contra o feiticeiro, ou melhor, em que o pau se virou contra a vassoura que devia limpar a sujidade da criatura, transformando-a numa bela esfregona, Deus condenou-os a não sentirem qualquer resquício de emoção sensual senão quando bebessem borras de Porto o que, na época, era praticamente condená-los à impotência, dado que as naus carregadas de Porto não conseguiam passar o cerco que os Turcos tinham posto à cidade, apresando todo o carregamento que se aproximasse.&lt;br /&gt;Foi então que Giacomo descobriu que o único possuidor de umna cave de Porto era eu, e que só entrando ao meu serviço conseguiria obter as preciosas borras, que o libertariam da sua incapacidade para gozar das doces prendas de Marinella. Logo entrámos naquela situação que já conheceis, e que não preciso de repetir; mas o que não era claro para mim era o motivo porque, depois de tudo aquilo, tive de ir parar ao Inferno.&lt;br /&gt;- É simples, caro Marquês. Voltei a falar com Deus; e Ele disse-me que a única maneira de eu recuperar o meu dom genético seria trocar de lugar contigo, e transformar-te na punição eterna dessa Marinella que Ele ficou a aborrecer do fundo da sua divindade.&lt;br /&gt;Como são cruéis os divinos desígnios, pensei; mas logo agradecendo, do fundo da alma, a Casanova pelo seu telefonema, que dava sinal de que ele se arrependera do seu negócio e quisera restituir-me à humanidade.&lt;br /&gt;- Sim, caro Marquês, também eu passei já por esse salão; mas quando lá estive, a dança era diferente. A orquestra tocava o minuete, e regularmente os pares trocavam entre si, pelo que passei alguns anos nesse Inferno a mudar de par, a cada minuto; e como não podia resistir, de cada vez que trocava dava-se esse inevitável encontro entre homem e mulher, no mais íntimo da sua natureza, sobretudo porque, já então, tal como quando tu lá entraste com Marinella, a mulher se encontrava despojada de todo o adereço, o que facilitava a nossa relação. Lembro-me que estive lá dez anos; e a trocar de par minuto a minuto, faz as contas para descobrir de quantas noivas em meio minuto fiz minhas mulheres nos trinta segundos seguintes!&lt;br /&gt;Como deveis imaginar, a minha cabeça começou a fazer as contas, mas ainda não parou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112395501356344649?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112395501356344649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112395501356344649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/conversa-de-priso.html' title='Conversa de prisão'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112395012394665730</id><published>2005-08-13T17:01:00.000+01:00</published><updated>2005-08-15T22:15:18.580+01:00</updated><title type='text'>Fuga</title><content type='html'>Repetia o Diabo «...amor de mi juventud...» pela milésima vez, e repetia-me Marinella ao ouvido «...que non se olvida..» no seu miado inconfundível de gata com cio, quando o meu telemóvel tocou. Confesso que me esquecera completamente de o desligar, apesar do aviso que fora dado logo à entrada: «É favor desligar todos os instrumentos electrónicos, em particular telemóveis, no Inferno»; no entanto, ninguém pareceu dar pelo toque. Levei a mão ao bolso e atendi:&lt;br /&gt;- Patrão, aqui fala Giacomo.&lt;br /&gt;Reconheci a voz do meu criado, que despedira tão injustamente, embora agora me arrependesse de não lhe ter dado dois pontapés no traseiro, para o recompensar pelas provas a que a sua imprevidência me arrastou; mas, apesar do meu silêncio, ele continuou:&lt;br /&gt;- Senhor patrão, sei onde se encontra, e sei que a culpa é minha. Por isso vou tentar libertá-lo; dentro de uns instantes, irei desligar os fusíveis do Inferno. Peço-lhe que fixe o lugar em que a porta se encontra e, logo que as luzes se apagarem, corra para lá, empurre-a, aproveitando o mecanismo eléctrico que a encerra estar desligado, e fuja para a praça.&lt;br /&gt;Confesso, muito sinceramente, que durante uns segundos pensei se deveria executar esta instrução. Com efeito, estava a gostar deste inferno; e já me habituara à voz de Marinella que, ao meu ouvido, continuava a repetir: «...amor de mi juventud...» Porém, assim que as luzes se apagaram, e o diabo se calou no palco, o meu reflexo imediato foi seguir o conselho de Giacomo e corri para a porta do inferno, empurrei-a, dei comigo no átrio e, voltando a empurrar o último portão, fugi para a praça onde os soldados do Doge me esperavam para me prender.&lt;br /&gt;Ah, Giacomo, traidor, compreendo agora que o teu telefonema não passou de uma vingança para me castigar por te ter despedido e, mais do que isso, por te ter privado de Marinella! Eu próprio, enquanto era arrastado aos empurrões para o cárcere, começava a sentir saudades do seu abraço e, sobretudo, da sua voz melodiosa, repetindo felinamente por entre os meus cabelos:&lt;br /&gt;«..amor de mi juventud&lt;br /&gt;que non se olvida...»&lt;br /&gt;Fechadas as portas do cárcere lúgubre em que os esbirros da república me enfiaram, comecei a ter tempo para pensar na minha vida. Comecei por ouvir o silêncio do subterrâneo, só interrompido a breves espaços pelo guinchar dos ratos que, esfomeados, tinham sentido a minha presença. Depois, já habituado à obscuridade, entrevi uma figura recostada a escassos centímetros de mim; de resto, não havia outra hipótese senão ela estar a escassos centímetros, dado que a largura da cela não permitia mais do que esta forçada intimidade.&lt;br /&gt;O homem tinha boa figura, feições nobres, e um ar sarcástico ao canto da boca. Foi o que bastou para o saudar:&lt;br /&gt;- Salve, amigo Casanova. Quem diria que nos iríamos encontrar neste fim do mundo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112395012394665730?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112395012394665730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112395012394665730' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112395012394665730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112395012394665730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/fuga.html' title='Fuga'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112377516143260424</id><published>2005-08-11T16:18:00.000+01:00</published><updated>2005-08-15T22:17:00.970+01:00</updated><title type='text'>Baile</title><content type='html'>Comecei a ouvir gritos na praça: os soldados do Doge saíam do quartel, e corriam para nos apanhar. Marinella entrava na grande porta do palácio, como se nada a afectasse; e eu, perante o risco de cair nas mãos da soldadesca, que não deixaria de me fazer em pedaços para vingar o que sucedera aos inquisidores, segui-a, e fechei a porta. Ela atravessou o átrio deserto e, voltando-se para mim, disse-me:&lt;br /&gt;- Estás preparado?&lt;br /&gt;Entre uma mulher-gato e a tropa veneziana, não hesitei:&lt;br /&gt;- Sigo-te.&lt;br /&gt;Empurrando uns grandes portões de ferro espelhado, Marinella fez-me entrar num salão maior do que o próprio recinto da Basílica de S. Pedro. Ao fundo, uma orquestra tocava; e todo o interior estava ocupado por pares que dançavam o tango. Os homens vestiam-se dos mais diversos trajes; todas as mulheres, porém, nuas como Marinella, tinham nos olhos o mesmo brilho felino. À boca de cena, um cantor gemia:&lt;br /&gt;«Marion,&lt;br /&gt;amor de mi juventud&lt;br /&gt;que non se olvida...»&lt;br /&gt;- Sabes agora quem sou, disse-me ela com um gemido de gata, Marion, mas todos me conhecem por Marinella.&lt;br /&gt;E, agarrando-me, puxou-me para dançar, por entre a multidão. Passando pelos pares, pude ver os olhares desesperados dos homens, com pesadas olheiras de quem não dormia há séculos, e a pele branca e seca do ar abafado do salão.&lt;br /&gt;- Já adivinhaste?, disse-me ela, estamos no Inferno, o verdadeiro, que não tem nada a ver com aquilo que o Dante descreveu. O Inferno, meu amor, é um gigantesco salão de baile, onde iremos dançar este tango até ao fim dos tempos.&lt;br /&gt;E começou a dizer-me aos ouvidos:&lt;br /&gt;«...amor de mi juventud&lt;br /&gt;que no se olvida...»&lt;br /&gt;A última coisa que eu esperava é que um cálice de Porto me precipitasse no Inferno. Ainda por cima eu, que sempre preferira whisky ou cognac a estas bebidas leves... Mas Marinella voltou a interromper-me:&lt;br /&gt;- A música é sempre a mesma, por isso tens toda a eternidade para decorar esta letra. Mas o melhor é poupares-te: podes perder um século para cada verso, e depois voltar ao princípio. Repete comigo: «amor de mi juventud...»&lt;br /&gt;- Marion, disse-lhe, como é que se pode sair daqui?&lt;br /&gt;- Quem entra não tem qualquer hipótese de fuga. O cantor é o próprio Lúcifer; e como podes ouvir, tem uma voz de tango que te irá arrastar ao longo deste salão, dando-te tempo para descobrir todos estes rostos que por aqui circulam. Olha, ali, Napoleão e Josefina, ; e, mais além, os Reis católicos; e logo aqui, enroscados como molas, dois dos Bórgias, não os ouves? «Amor de mi juventud...»&lt;br /&gt;Queria libertar-me do seu abraço, mas ela reclinava-se para trás, e voltava a endireitar-se, com uma volta brusca, fazendo de mim um cabo de vassoura.&lt;br /&gt;Assim, o tempo foi passando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112377516143260424?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112377516143260424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112377516143260424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/baile.html' title='Baile'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112377179016115265</id><published>2005-08-11T15:26:00.000+01:00</published><updated>2005-08-11T15:49:50.170+01:00</updated><title type='text'>Auto-de-fé</title><content type='html'>Entrei no Harry's coffee para tomar um martini e um capuccino, na mesa do canto, onde o Hemingway costumava escrever as suas reportagens de guerra. Lembro-me que adormeci em cima da mesa; e o patrão veio ter comigo, para me acordar:&lt;br /&gt;- Não pode dormir aqui, já o Ernest tinha essa mania e era eu que me vinha sentar com ele, para que me contasse as suas histórias. Mas não quero que me conte coisa nenhuma; queria era que me libertasse o lugar para os turistas, que vão desembarcar no vaporetto das nove, e querem todos sentar-se a esta mesa para serem fotografados em pose de Hemingway.&lt;br /&gt;Confesso que não há nada que mais me irrite do que ver estes venezianos com ar de donos de Veneza, quando a cidade é muito mais minha do que deles.&lt;br /&gt;- Ouça, respondi, o meu tetravô foi o último doge de Veneza, e é em nome dele que o esmurro se não me deixar em paz.&lt;br /&gt;O homem, no entanto, não desistiu:&lt;br /&gt;- Sei o que quer, e posso satisfazê-lo.&lt;br /&gt;- Não, meu caro, não preciso das suas ofertas.&lt;br /&gt;- E se for um gato?&lt;br /&gt;Hesitei. Ele, afinal, sabia mais do que eu podia imaginar. Levantei-me, agarrando-o pela gola do casaco:&lt;br /&gt;- Mostre-me o bicho.&lt;br /&gt;Pegando no cesto que tinha escondido atrás do balcão, o patife pôs-me nas mãos a minha Marinella, completamente enroscada. Pus-lhe uma nota nas mãos, e saí para apanhar a minha gôndola, que me levou de volta ao hotel. Para minha surpresa, porém, começou a cair uma névoa espessa sobre os canais, e o gondoleiro começou a andar às voltas, sem dar com o caminho. Empurrei-o para fora do barco, e mal o homem pôs o pé no cais logo a gôndola se afastou, como se fosse levada por uma corrente que eu próprio não conseguia dominar. Com tudo isto, não voltei a prestar atenção ao cesto do gato; e foi com uma imensa surpresa que, ao voltar-me para trás, vi que desaparecera, e quem ocupava o seu lugar era a minha Marinella, completamente adormecida no seu banco.&lt;br /&gt;Como não podia fazer nada quanto ao rumo da gôndola, que aparentemente entrara na laguna e se dirigia para o Lido, sentei-me ao lado dela e acordei-a:&lt;br /&gt;- Queres contar-me tudo?&lt;br /&gt;Ela olhou-me com uma expressão de terror:&lt;br /&gt;- Para onde me levas?&lt;br /&gt;Tarde demais: a névoa levantara-se e estávamos rodeados por pequenas naus, com indivíduos patibulares a tirarem-nos de dentro da gôndola. Em breves minutos, tínhamos à nossa volta um tribunal da Inquisição. Puseram-me de lado, e era sobre Marinella que incidiam todas as atenções. O Inquisidor-Mor, finalmente, decretou a sentença:&lt;br /&gt;- Mais uma vez o Demónio felino tomou esta figura de feiticeira para esvaziar as nossas caves de Porto. E mais uma vez serás condenada á fogueira, para que sintas na carne o fogo do Inferno.&lt;br /&gt;Marinella ria-se, como se a condenação não a afectasse. Logo os marinheiros nos desembarcaram numa praça deserta, e começaram a juntar à volta de uma coluna, à qual amarraram Marinella, que despojaram das suas roupas, pesados troncos de carvalho seco. Lida de novo a sentença, logo atearam fogo à madeira. Deu-se, então, um curioso fenómeno: em vez de ser Marinella a arder, eram todos os homens à nossa volta que começaram a inflamar-se, como pedaços de estopa, dando gritos lancinantes à medida que o lume os consumia. Marinella, soltando-se da coluna, veio ter comigo, e empurrou-me para dentro do mais sumptuoso palácio daquela praça. Não perdera tempo a vestir-se; e eu seguia atrás de um corpo de Vénus, como se não tivesse alternativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112377179016115265?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112377179016115265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112377179016115265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112377179016115265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112377179016115265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/auto-de-f.html' title='Auto-de-fé'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112368914035189381</id><published>2005-08-10T16:20:00.000+01:00</published><updated>2005-08-10T19:14:07.830+01:00</updated><title type='text'>Inundação</title><content type='html'>Esvaziado o cálice, Marinella como que se transfigurou. Os seus olhos tornaram-se dois luzentes faróis, cuja luz me penetrou até ao fundo do meu espírito; e percebi que não mais poderia pretender ser para com ela alguma coisa outra do que um simples escravo, cujos mais recônditos espaços da alma ela conhecia como à palma das suas mãos. Perdidos os segredos, restava-me ensiná-la a conduzir-me pelos caminhos do Paraíso, e isso eu poderia fazê-lo muito bem dado que nenhum paraíso me é estranho. Quando lhe propus isso, logo ela se enfureceu, como se a tivesse ofendido:&lt;br /&gt;- O quê? O Paraíso? Sem ter passado pelo inferno, nem pelo purgatório?&lt;br /&gt;Compreendi que Marinella não era tão inocente como eu pensara; e logo lhe pedi que me precipitasse num dos círculos infernais, à sua escolha.&lt;br /&gt;- Sim, disse-me ela, escolho o círculo das tuas trinta virgens; esse em que elas estão reclusas, pisando para toda a eternidade as uvas que te dão tanto prazer, quando o seu sumo te chega à boca.&lt;br /&gt;- Levar-te-ei, desde que não me faças perguntas sobre o local onde ele se situa. Não quero ensinar aos meus irmãos o caminho do inferno na terra, que é esse país onde se situa o lagar que tu queres conhecer.&lt;br /&gt;Marinella riu-se, como se não me tivesse ouvido, enquanto chegava ao fim da garrafa que eu lhe abrira; e foi então que as coisas se sucederam a uma velocidade inesperada. Embora tivesse escolhido uma das melhores garrafas, ainda havia no seu fundo um resto de borra; e o efeito que esse depósito produzira no gato, multiplicou-se em Marinella, fazendo com que ela se atirasse a mim, estremecendo como um vulcão, e abrasando-me no seu furor eruptivo, de tal modo que quase fiquei submerso em lava, que corria de mim para o chão, abrindo sulcos de onde subiam os mais insólitos fumos, num colorido que me fez abrir todas as portas do sonho.&lt;br /&gt;Para evitar que o meu hotel tremesse mais ainda do que o Palazzo onde ela vivera, deitei-a no sofá, e apertei-a com toda a força que pude encontrar: por algum tempo, pareceu-me que ela sossegara; mas logo comecei a sentir que a sua pele ganhara uma consistência estranha, e as minhas mãos, em vez de pele, descobriam uma espécie de sedoso tecido que não conseguia ver a que é que correspondia devido à obscuridade em que nos rodeava. De súbito, Marinella soltou um imenso miado, e as suas garras feriram-me em longos arranhões, fazendo com que a atirasse para longe de mim e, enquanto ela caía no fulvo tapete persa que eu trouxera de Ispahan, percebesse que Marinella e aquele gato que o meu criado alimentava com o meu vinho eram uma e a mesma criatura.&lt;br /&gt;Como é isto possível, perguntar-me-ão? Apaixonar-se um ser racional por uma gata, que dá pelo nome de Marinella, e lambe como insaciável harpia pratos de Porto?&lt;br /&gt;Claro que as razões do amor não são universais, como eu descobrira numa das minhas noites de insónia; e ao ver Marinella esgueirar-se pela varanda, e subir para o telhado do hotel, não hesitei um instante, seguindo o caminho que a vira tomar. Andei toda essa noite pelos telhados de Veneza, agarrando em cada gato que via para fixar nos dele os meus olhos, esperando reconhecer o mesmo brilho que encontrara no olhar de Marinella: mas nenhum me lançou aos ouvidos o miado lancinante que me atravessou até aos limites da minha existência; ne acabei de madrugada na praça de S. Marcos, onde a laguna espumava com a fúria que os elementos dedicam às construções humanas, sobretudo as mais belas.&lt;br /&gt;- Podes inundar esta cidade!, gritei ao oceano; e dos seus destroços emergirá Marinella, nadando em busca de auxílio, para que eu a recolha na minha jangada.&lt;br /&gt;Mas a água amansou, como se compreendesse o horror a que eu a desafiava; e pouco a pouco a praça foi-se enchendo de gente, que passava por mim como se nem eu nem Marinella alguma vez tivéssemos existido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112368914035189381?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escampado.blogspot.com/feeds/112368914035189381/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12331573&amp;postID=112368914035189381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112368914035189381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112368914035189381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/inundao.html' title='Inundação'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-12331573.post-112368530067630869</id><published>2005-08-10T15:28:00.000+01:00</published><updated>2005-08-10T15:48:20.683+01:00</updated><title type='text'>A prova do Porto</title><content type='html'>Marinella entrou ao meu serviço no dia seguinte. Não lhe perguntei quem era, de onde vinha, nem o que fazia naquele Palazzo, de que ela ocupava um soturno desvão, sob o telhado, que eu via da minha varanda. Ela também não hesitou em deixar tudo para se vir instalar no meu hotel, que eu alugava por inteiro, para não ter de me incomodar com vizinhanças incómodas, sobretudo a desses intelectuais de toda a Europa para quem Veneza é o supra-sumo, e que depois falam do Lido como se fosse aí que tivessem bebido o leite da infância. Eu, de Veneza, conheço o meu quarto de hotel com vista para o canal e para o quarto de Marinella, e chega.&lt;br /&gt;Quando ela entrou no meu quarto, para receber ordens, pude apreciá-la convenientemente. Não vou referir o decote veneziano, que mal cobria os dois montes brancos, tão altos que só um experimentado alpinista conseguiria atingir os seus celestes cumes; nem dos cabelos castanhos que se lhe enrolavam ao pescoço, e desciam pelo colo, como essas torrentes impetuosas nascidas do degelo primaveril, que inundavam os vales férteis; aqueles, porém, não eram submergidos completamente, antes ficava à vista o suficiente, de entre ombros, braços e peito, para que pudéssemos imaginar uma aparição de Godiva na sua cavalgada triunfal sobre os inimigos do feminino.&lt;br /&gt;Mandei-a executar as operações habituais que uma serviçal tem a seu cuidado, explicando com a maior minúcia cada uma das partes que me poderiam satisfazer, desde o pedaço de mesa que deveria rebrilhar como um espelho, até ao aprumo dos cortinados, que têm de cair no tapete como copas de arbustos aparados pelo mais exigente dos jardineiros. A tudo ela se prestou, como dócil veneziana; e no fim perguntou-me se eu estava satisfeito, ao que lhe disse que poderia ir, mas não sem antes partilharmos um cálice de Porto, para que ela pudesse repousar da sua manhã exaustiva. Sentando-se no sofá, Marinella perguntou-me de onde vinha esse Porto; e logo lhe expliquei tudo:&lt;br /&gt;- Cultivo, numa longínqua encosta de um país cujo nome omito, porque ninguém o conhece para além de mim, uma vinha que produz a mais perfeita das castas que alguma vez o homem imaginou que poderia existir. Mas a juntar-se a isso, as uvas são pisadas pelos pés de trinta virgens num lagar que está fechado à entrada de qualquer ser masculino; e o mosto assim amassado é escorrido para um tonel de centenário carvalho, que só se volta a abrir ao fim de dez anos. O produto é despejado para estas garrafas que podes ver à minha volta, e que sou o único a consumir; por isso, o que vais beber, bebê-lo-ás pela primeira vez, descobrindo um sabor que nenhum outro humano, para além d emim, alguma vez provou.&lt;br /&gt;Marinella não pareceu ficar impressionada com esta minha observação; e logo levou à boca o cálice, esvaziando-o de um trago.&lt;br /&gt;- Não faças isso, ainda lhe disse!&lt;br /&gt;Mas atribuí o gesto à natural sede dos serviçais, que querem logo esgotar o que lhes é dado, receando que não mais venham a ter acesso a estas maravilhas que só aos senhores são consentidas.&lt;br /&gt;Como fui ingénuo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/12331573-112368530067630869?l=escampado.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112368530067630869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/12331573/posts/default/112368530067630869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escampado.blogspot.com/2005/08/prova-do-porto.html' title='A prova do Porto'/><author><name>Ovidio</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
