segunda-feira, abril 10, 2006

CABEÇA

O Senhor Rodrigues perdeu a cabeça.
Perdi a cabeça. Pus um anúncio no jornal para ver se alguém a encontrava. Nada. Ontem, porém, ouvi o telefone tocar. Alguém tinha encontrado a minha cabeça e perguntou-lhe a quem pertencia. «Telefone para este número», disse ela. E o homem ligou. «Encontrei uma cabeça que me deu o seu número de telefone. Sabe a quem pertence?» Disse-lhe logo: «É minha. Onde é que a posso ir buscar?» Ouvi um silêncio do outro lado. Depois, o homem disse: «Mas se a cabeça é sua, como é que me está a ouvir? Tenho aqui as suas orelhas.» Também fiquei sem perceber como é que, estando sem cabeça, podia ouvir o que ele me dizia. Até que compreeendi tudo: «Claro que o estou a ouvir porque você está a falar ao lado da minha cabeça.» Outro silêncio. E o homem voltou à carga: «Admitamos que isso é possível. Mas se eu tenho aqui a sua boca, como é que você me está falar ao telefone?» Esta pergunta embaraçou-me. Desliguei o telefone. E continuo com a cabeça perdida.

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