O Senhor Rodrigues abre a janela e espreita o céu.Hoje, o céu está encoberto. Não se vê Deus. Resta-me esperar que as nuvens passem, e talvez amanhã, ao abrir a janela, Deus volte a existir.
A questão é esta: para mim, que quero ir à praia, o azul é fundamental para acreditar que Deus existe. Mas para o camponês que, tal como eu, abriu a janela para espreitar o céu, são estas nuvens que prometem chuva que o fazem acreditar em Deus.
Conclusão lógica: Deus, para existir, depende de quem acredite nEle. Mas se, para acreditar nEle, é preciso que metade do céu esteja de sol, e metade do céu esteja de chuva, a crença em Deus implica um contra-senso meteorológico.
Amanhã irei ver se convenço o camponês a comprar uma mangueira, ligá-la à torneira e regar as couves com a água da barragem. Assim, Deus passará a existir enquanto houver água na barragem. E mais vale ter um Deus preso na barragem do que sabê-lo à solta pelo céu.